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Incêndios na UE ultrapassam 1 milhão de hectares e 2025 pode ser o pior ano de sempre, alerta EFFIS
Relatório anual da entidade europeia revela que em 2024 houve menos área ardida, mas confirma épocas de fogos cada vez mais longas, episódios extremos e um ano de 2025 que caminha para valores recorde.
09 Dez 2025 - 07:30
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Foto: Freepik
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A época de incêndios florestais de 2024 terminou com 383 317 hectares ardidos na Europa, Médio Oriente e Norte de África, segundo o relatório divulgado recentemente pelo Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS, na sigla inglesa). Apesar de ficar abaixo dos mais de 500 mil hectares destruídos em 2023, o valor continua acima da média dos últimos 17 anos, de 354 185 hectares. E 2025 confirma o alerta. Desde janeiro, já ocorreram mais de 7 200 incêndios e mais de 1 milhão de hectares arderam na União Europeia (UE), o dobro do total de 2024 e uma área comparável ao território do Líbano. O EFFIS admite que este poderá ser o pior ano desde que existem registos.
Em 2024, as chuvas irregulares na primavera e no verão podem ter ajudado a conter alguns dos piores cenários. Os dados confirmam, porém, uma tendência preocupante: a estação tradicional de incêndios, entre junho e setembro, está a alargar-se, com grandes fogos a surgirem cada vez mais cedo e mais tarde.
Nos países do Mecanismo Europeu de Proteção Civil (UCPM, na sigla em inglês) foram registados 8 343 incêndios em 2024. Portugal, Bulgária, Grécia, Itália e Espanha concentraram a maior parte da área ardida – 334 940 hectares. Entre os países não pertencentes à UE, Albânia, Bósnia-Herzegovina, Macedónia do Norte, Turquia e Ucrânia foram os mais afetados.
Em setembro, a Península Ibérica enfrentou uma vaga de grandes incêndios que, em apenas uma semana, consumiram 100 mil hectares, quase um quarto de tudo o que ardeu ao longo do ano. Nos Balcãs, dentro e fora do território da UE, os danos também foram severos. A Ucrânia, afetada principalmente por incêndios nas zonas de combate, representou metade da área ardida total registada no âmbito do UCPM.
Solução pode passar por investimento em prevenção
O EFFIS sublinha que as épocas de fogo estão a tornar-se mais longas e que as ondas de calor, mais frequentes e intensas, criam condições propícias para incêndios maiores e mais difíceis de controlar. Os especialistas defendem uma mudança de estratégia que passa por menos foco exclusivo na supressão e mais investimento em prevenção, gestão de paisagem e soluções baseadas na natureza.
Ao longo da época de incêndios, o Centro Comum de Investigação da UE monitoriza diariamente o risco de fogo e disponibiliza essa informação publicamente. Os dados apoiam serviços nacionais de proteção civil, instituições europeias, investigadores e organizações ambientais.
O relatório agora publicado reúne informação oficial de 33 países e análises por satélite relativas a 45. Inclui estatísticas de área ardida, número de ocorrências e, nalguns casos, medidas de prevenção, combate e recuperação pós-incêndio.
Enquanto componente do programa europeu Copernicus, o EFFIS tem um papel central na preparação e resposta a incêndios florestais, recorrendo a modelos meteorológicos avançados e observação da Terra. O UCPM reforçou recentemente a sua capacidade, duplicando a frota de meios aéreos de combate e mobilizando equipas terrestres especializadas para apoiar os Estados-membros em situações de emergência.
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