4 min leitura
Investimento em biometano na Europa deve ascender a 34,9 mil ME até 2030
Centenas de novas instalações estão previstas para entrar em operação até ao final da década, mas o ritmo de crescimento vai depender da estabilidade das políticas públicas, segundo a DBRS.
05 Out 2026 - 10:00
4 min leitura
Foto Magnific
- Porque o futuro da gestão de energia depende das pessoas, dos dados e da liderança
- Governo inglês mobiliza comunidades locais para plantar árvores e restaurar natureza
- Famílias portuguesas são as que mais desperdiçam alimentos na União Europeia
- Carbono incorporado: o custo invisível da construção
- FAO aponta restauro das florestas como fundamental para alcançar objetivos climáticos, de biodiversidade e segurança alimentar
- Agricultores de Serpa pedem reunião com o Governo sobre dificuldades no setor
Foto Magnific
O investimento em projetos de biometano na Europa deverá atingir 34,9 mil milhões de euros até 2030, permitindo acrescentar cerca de 9 mil milhões de metros cúbicos por ano de capacidade de produção, segundo uma análise da DBRS.
A expansão do setor está a ser impulsionada pelo papel do biometano na descarbonização dos sistemas de distribuição de gás através da utilização das infraestruturas de gasodutos existentes. A DBRS destaca ainda o contributo do biometano para a economia circular e redução das emissões através da captura de metano proveniente de resíduos agrícolas, estrume, lamas de águas residuais e outros materiais orgânicos
Dinamarca, Itália, Espanha estão entre os mercados com maior crescimento, numa análise em que Portugal aparece em 10º lugar, à frente inclusive da Noruega e da Alemanha.
A implementação dos projetos continua, contudo, fortemente dependente dos incentivos públicos, dos mercados de certificados ambientais e da disponibilidade de matérias-primas, tornando a estabilidade regulatória um fator relevante para o risco de crédito dos promotores e investidores, apura a DBRS.
A consultora considera que projetos desenvolvidos em jurisdições com regimes regulatórios de longo prazo e transparentes tendem a apresentar características de crédito diferentes dos que dependem de mecanismos de apoio de curto prazo ou de mercados de certificados mais voláteis.
França e Dinamarca são apontados como mercados mais maduros, depois de mais de uma década de apoio público ao setor através de mecanismos de suporte, regras de acesso às redes e sistemas de certificação de gases renováveis.

Imagem: DBRS
Na Dinamarca, o biometano já representou mais de 40% do gás fornecido pela rede nacional em 2025, enquanto a Agência Dinamarquesa da Energia prevê que os gases verdes cubram todo o consumo interno de gás até 2030.
Em Espanha, que se encontra numa fase mais inicial de desenvolvimento, o potencial de crescimento é considerado significativo devido à dimensão da sua base agrícola. A evolução do mercado dependerá, contudo, do desenvolvimento das garantias de origem, das reformas dos processos de licenciamento e das políticas de apoio, salienta a DBRS.
Grandes empresas dominam investimento
O investimento está a ser liderado por grandes empresas de serviços públicos e grupos integrados de energia. A Shell identifica o biometano como parte da sua estratégia para atingir emissões líquidas nulas em 2050 e opera atualmente 14 grandes unidades de produção de biogás na Europa.
A TotalEnergies tinha cerca de 1,4 TWh por ano de capacidade equivalente de produção de biometano no exercício de 2025, refere a consultora.
Já a Engie opera 22 unidades de produção de biometano em França, além de ter instalações no Reino Unido, Bélgica e Países Baixos. A empresa tinha cerca de 1,2 TWh/ano de capacidade instalada em 2025 e pretende desenvolver 10 TWh/ano de capacidade de produção de biometano na Europa até 2035.
A DBRS analisa ainda os beneficiários do sistema. Acrescentando que, para os operadores das redes de gás, a expansão do biometano pode contribuir para prolongar a utilização das infraestruturas existentes num sistema energético com menores emissões de carbono. Esta integração é apoiada, em vários mercados europeus, por metas para a integração de gases renováveis, incentivos às ligações à rede, tarifas preferenciais e garantias de origem.
Também os produtores agrícolas podem beneficiar da expansão do setor, através do fornecimento de resíduos e subprodutos agrícolas para projetos de produção de biometano.
Por sua vez, as empresas de gestão de resíduos também poderão beneficiar, ao transformar resíduos orgânicos em gás renovável e gerar receitas adicionais. A DBRS considera que o desenvolvimento do biometano pode aumentar a diversificação dos resultados destas empresas e reduzir a exposição às atividades tradicionais de eliminação de resíduos.
- Porque o futuro da gestão de energia depende das pessoas, dos dados e da liderança
- Investimento em biometano na Europa deve ascender a 34,9 mil ME até 2030
- Governo inglês mobiliza comunidades locais para plantar árvores e restaurar natureza
- Famílias portuguesas são as que mais desperdiçam alimentos na União Europeia
- Carbono incorporado: o custo invisível da construção
- FAO aponta restauro das florestas como fundamental para alcançar objetivos climáticos, de biodiversidade e segurança alimentar