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Luís Montenegro alerta que compras conjuntas de energia “não são solução” para crise energética
À entrada do Conselho Europeu, o primeiro-ministro referiu que “não há uma solução em cima da mesa” para a situação, que descreve como complexa. Sobre o novo acordo do gasóleo que os EUA estabeleceram com a Rússia, Montenegro acusa Trump de não tomar decisão "consequente e coerente"
15 Out 2026 - 11:57
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Luís Montenegro primeiro ministro | Comissão Europeia
Luís Montenegro alertou, nesta quinta-feira, que as compras conjuntas de energia na União Europeia “não são solução” para a crise energética. De acordo com o primeiro-ministro, que falou aos jornalistas à chegada ao Conselho de Ministros, a decorrer em Bruxelas, o problema não está na compra de energia, mas sim “nos mecanismos de formação do preço” do abastecimento.
O tema surge após a Comissão Europeia revelar, na passada quinta-feira, que está a preparar uma nova plataforma para agregar produtos energéticos e realizar compras conjuntas, criando ainda um diálogo estratégico com a indústria europeia de refinação para responder à crise energética agravada pela guerra no Irão.
O primeiro-ministro relembrou ainda que Portugal não compra “produtos provindos daquela geografia do Médio Oriente”, sendo abastecido por outros países, como o Brasil, a Argélia, a Nigéria e os Estados Unidos da América.
“Nós não estamos dependentes daquilo que se passa naquela região, mas nós somos igualmente afetados por isso, nós e todos aqueles que têm uma situação igual à nossa, portanto o problema não está na compra, o problema está em primeiro lugar na instabilidade e no funcionamento hoje dos mecanismos de formação do preço”, afirmou Luís Montenegro.
Para o primeiro-ministro “não há uma solução em cima da mesa” para a situação, que descreve como complexa. Aos jornalistas, Montenegro explicou que o mecanismo de compras conjuntas, visto como uma possível solução para garantir o abastecimento pela União Europeia, surgiu na sequência das crises energéticas da década de 1970.
“Este mecanismo tem as suas virtudes, mas tem neste momento uma perversão que é esta de estarmos todos a pagar o efeito criado, sobretudo ao nível da expectativa futura, sobre uma instabilidade que está circunscrita numa determinada geografia”, considerou o primeiro-ministro.
Assim, Montenegro considera que os países precisam de uma resposta que possa mitigar os efeitos do mecanismo de formação dos preços e reduzir, consequentemente, o peso da componente especulativa dos mercados financeiros e dos mercados futuros.
“Alguma coisa deve ser feita do ponto de vista diplomático, económico e também estratégico para poder diminuir estes impactos e é esta discussão que nós estamos abertos a poder fazer”, afirmou o chefe do Governo.
Ainda que, numa fase inicial, o primeiro-ministro admita que possa ser necessária a criação de mecanismos e respostas nacionais para mitigar a subida dos preços da energia, considera que “com o prolongamento da situação”, os países terão de “consertar as políticas de resposta a este tipo de crise”.
Os líderes da União Europeia, reunidos quinta e sexta-feira em Bruxelas, deverão pedir novas medidas para travar a subida dos preços energéticos e preparar a fase decisiva das negociações do próximo orçamento comunitário, agora conduzidas pelo presidente do Conselho Europeu.
Montenegro: Aumento do preço dos combustíveis é “absurdo”
Questionado pelos jornalistas acerca do novo acordo sobre o gasóleo que os Estados Unidos da América estabeleceram com a Rússia, Montenegro acusou Donald Trump de tomar uma decisão “que não corresponde a um exercício consequente e coerente da resolução desta matéria” e que não vai ter “nenhuma consequência positiva” a nível do preço dos combustíveis.
“Não é consequente porque é consabido que o acordo proposto, estabelecido com a Federação Russa, não vai resolver o problema do preço dos combustíveis e mesmo a disponibilidade que esse acordo permite em termos de gasóleo não resolve o assunto por mais de escassos dias”, afirmou.
Como alternativa, o primeiro-ministro defende uma “intervenção que seja, do ponto de vista diplomático, eficaz para suster este aumento do preço dos combustíveis, que é absurdo, é insensato, atinge todos”.
“A Europa não pode ter dúvidas quanto ao caminho de autonomização da sua área energética, fazendo depender as suas economias cada vez menos dos combustíveis fósseis e cada vez mais das energias renováveis”
Ao todo, os combustíveis fósseis importados têm custado à UE mais 100 mil milhões de euros desde o início da guerra com o Irão causada pelos ataques norte-americanos e israelitas.
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