Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

3 min leitura

Mais de 40% do crédito na Europa concedido a empresas vulneráveis à seca

Regiões do sul e oeste do continente europeu e setores dependentes de água apesentam maiores riscos para o sistema financeiro, alerta o Banco Central Europeu. Situação levanta preocupações sobre a vulnerabilidade do sistema financeiro perante os riscos climáticos.

18 Jun 2026 - 06:20

3 min leitura

Christine Lagarde, presidente do BCE | Foto: BCE

Christine Lagarde, presidente do BCE | Foto: BCE

Mais de 40% do crédito bancário na Europa está concedido a empresas altamente expostas à seca e fortemente dependentes do abastecimento de água superficial, com especial concentração no sul e oeste do continente, onde se inclui Portugal, avança o Banco Central Europeu.

Segundo a nova análise “Beat the Heat: O papel das ondas de calor e secas nas economias regionais da UE“, esta situação levanta preocupações sobre a vulnerabilidade do sistema financeiro europeu perante o aumento da frequência e intensidade de fenómenos climáticos extremos, como secas e ondas de calor, que já estão a afetar cadeias de produção, a elevar custos operacionais e a afetar a estabilidade económica.

O documento não apresenta dados detalhados sobre Portugal, referindo que estão em falta informações sobre sub-regiões Nuts-3 no país, mas globalmente indica que a Europa está cada vez mais exposta a ondas de calor e secas, cujos efeitos económicos a curto prazo nos diferentes setores continuam difíceis de prever.

O BCE salienta que, na última década, grande parte do continente tem registado condições de seca severa “historicamente excecionais”, com a agricultura a ser particularmente afetada.

Apesar da sua crescente frequência, os impactos económicos das secas e ondas de calor continuam insuficientemente quantificados, especialmente no caso das economias avançadas, destaca o BCE. “As evidências mostram que secas extremas podem reduzir o crescimento do produto interno bruto (PIB) durante vários anos, com a produção regional na Europa a permanecer até três pontos percentuais (pp) abaixo quatro anos após um grande evento de seca. Além disso, secas e falhas de colheitas têm efeitos inflacionários significativos: choques nas colheitas explicam cerca de 30% da volatilidade de médio prazo da inflação na área do euro, e choques em culturas individuais podem aumentar os preços dos alimentos em dois dígitos, com consequências inflacionárias persistentes”, pode ler-se no documento divulgado nesta quarta-feira.

Para além da agricultura, as perturbações causadas pela seca no transporte fluvial, na geração de eletricidade, na indústria dependente de água e no turismo propagam-se através de redes de produção e cadeias de abastecimento, aumentando custos e restringindo a produção, salienta também a análise. “Estas dinâmicas podem também afetar as instituições financeiras através de maior risco de crédito, redução do valor das garantias, perturbações operacionais e volatilidade dos mercados”, alerta o supervisor europeu.

A falta de dados fiáveis é apontada pelo BCE como uma questão a resolver, colocando na tecnologia a esperança de resolução desta lacuna, nomeadamente integrando dados climáticos e económicos através de aprendizagem automática (machine learning) para previsões macroeconómicas, que até ao momento “permanece relativamente pouco explorada”.

O BCE recomenda, por isso, que se recorra ao ML para enriquecer previsões que podem apoiar a identificação dos setores e regiões mais expostos a fenómenos climáticos extremos combinados, “contribuindo para apoiar a definição de políticas públicas e orientar a conceção de estratégias de adaptação mais direcionadas e eficazes”.

 

 

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade