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Renováveis garantiram 72,7% da eletricidade produzida em Portugal durante o mês de maio
Dados da APREN indicam que a energia hídrica foi a principal fonte de produção elétrica em Portugal durante maio. Entre janeiro e maio, a produção renovável evitou a importação de 442 ME em gás natural e de 351 ME em eletricidade.
18 Jun 2026 - 15:51
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Em maio as energias renováveis voltaram a dominar a produção energética, sendo responsáveis pela produção de 72,7% da eletricidade produzida em Portugal Continental. Esta percentagem corresponde a 2 651 GWh de um total de 3 648 GWh gerados no mês, revela o Boletim Eletricidade Renovável elaborado pela APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis.
Portugal registou 79 horas não consecutivas em que a geração renovável foi suficiente para suprir a totalidade do consumo de eletricidade do país, durante o mês de maio. Desde o início do ano o sistema nacional operou 100% a renováveis durante 737 horas.
A energia hídrica foi a principal fonte de produção elétrica em maio, representando 24,0% do total, seguida de perto pela energia eólica, com 22,8%, e pela tecnologia solar fotovoltaica, com 19,8%. A bioenergia assegurou ainda 6,0% da geração nacional durante este mês.
Entre janeiro e maio, o funcionamento da produção renovável evitou a importação de 442 milhões de euros (ME) em gás natural e de 351 ME em eletricidade importada, permitindo adicionalmente uma poupança de 290 ME em custos com licenças de emissão de CO2, de acordo com o relatório.
Os preços da eletricidade continuam também a ser positivamente impactados pela transição energética. Apesar de, em maio, o preço médio do MIBEL (Mercado Ibérico de Eletricidade) em Portugal se ter fixado nos 86,1 €/MWh, no acumulado entre janeiro e maio o preço horário médio recuou para os 44,5 €/MWh. Este valor traduz uma redução de 27,2% face ao período homólogo de 2025.
Susana Serôdio, coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da APREN, afirma que “os dados de maio demonstram que Portugal continua a afirmar-se como um dos países europeus com maior incorporação renovável no setor elétrico. Porém é urgente a necessidade de continuarmos a investir e de desbloquearmos os entraves que hoje existem”.
“Só agilizando processos e otimizando as nossas infraestruturas conseguiremos aproveitar todo o potencial da energia verde que somos capazes de produzir, garantindo a independência e competitividade de Portugal no longo prazo”, acrescenta.
Ao nível do parque eletroprodutor, os dados da APREN mostram que no final de abril de 2026, a capacidade renovável já representava 79,4% da potência total instalada em Portugal Continental. Esta evolução reflete um crescimento de 82,6% da capacidade instalada destas tecnologias na última década, “cimentando o percurso de descarbonização do sistema”.
Com estes indicadores, Portugal consolida a sua posição de destaque no plano internacional, assumindo o estatuto de terceiro país europeu com maior peso de renováveis na geração elétrica (76,3%), sendo superado apenas pela Noruega (96,7%) e pela Dinamarca (94,3%).
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