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APREN pede rapidez na eólica offshore para evitar fuga de investimento
Associação defende maior rapidez na definição do calendário para a energia eólica no mar e avisa que a demora pode desviar investimento e projetos para outros mercados, nomeadamente Espanha.
15 Jun 2026 - 07:33
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Portugal pode perder investimento para outros mercados se continuar a adiar decisões sobre eólica no mar (‘offshore’), alertou a APREN, no âmbito da divulgação de um estudo sobre parques eólicos.
Em declarações à Lusa, a propósito do relatório “Parques Eólicos em Portugal”, divulgado nesta segunda-feira, a coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), Susana Serôdio, disse que continua a existir interesse dos promotores na eólica no mar.
O relatório, elaborado pelo INEGI – Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial – em parceria com a APREN, aponta para uma produção eólica de 13,5 terawatts-hora (TWh) em 2025, equivalente a 25,4% do consumo de eletricidade em Portugal continental.
Questionada sobre o leilão para a eólica ‘offshore’, que tem sofrido atrasos, Susana Serôdio afirmou que continua a haver “bastante contacto com algumas empresas que manifestaram logo interesse desde o início”, mas admitiu que os primeiros projetos só deverão surgir depois de 2030, mesmo que o processo avance rapidamente.
“Se as coisas fossem agilizadas e se entretanto [houvesse] o procedimento e um calendário, provavelmente […] só iríamos ver os primeiros projetos depois de 2030”, afirmou, apontando para o “início de 2030, 31, 32”.
Para Susana Serôdio, o atraso no lançamento do leilão pode fazer Portugal perder uma janela de oportunidade, numa altura em que outros mercados se estão a posicionar.
“Ao atrasarmos esta decisão, enquanto outros mercados se posicionam, podemos estar a perder investimento que poderia vir para os projetos nacionais e que vão acabar por ir para outros, bem como alguma cadeia de valor ligada à eólica ‘offshore’”, afirmou.
Segundo a responsável, Espanha tem conseguido posicionar-se mais rapidamente, o que pode condicionar a capacidade de Portugal atrair projetos e investimento no mercado ibérico.
“O que estamos a ver […] é que, efetivamente, Espanha está a conseguir sempre dar um passo à frente do nosso”, disse.
A APREN defende ainda que Portugal deve olhar para modelos usados noutros mercados europeus para viabilizar novos projetos eólicos, como contratos de aquisição de energia diretamente com consumidores, os chamados PPA, e contratos por diferenças, ou CfD.
“Olhando para a Alemanha e para outros mercados, estão com uma aposta muito grande efetivamente nos CfD tanto para projetos novos como para projetos de reequipamento”, afirmou.
No caso dos PPA, a responsável apontou Espanha como exemplo, referindo que o país “apostou muito” neste tipo de contratos e tem instalado “à volta de um gigawatt por ano” nos últimos três anos.
Em Portugal, o principal obstáculo aos PPA é o tecido empresarial, composto sobretudo por pequenas e médias empresas, cujas condições financeiras nem sempre dão estabilidade suficiente para tornar os projetos financiáveis, explicou.
“Aqui temos discutido muito com o Governo que seria necessário alguma garantia sobre estes PPA, que se acontecesse alguma coisa àquela empresa havia aqui alguma segurança até se encontrar outro consumidor”, disse.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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