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UE pode construir quase o dobro de turbinas eólicas e veículos elétricos de que necessita por ano
Ember indica que a base industrial europeia de tecnologias limpas é muito mais forte do que geralmente se assume.
14 Jun 2026 - 10:34
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Foto: Adobe Stock/Studio-FI
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Os fabricantes europeus já conseguem produzir o dobro das turbinas eólicas e dos veículos elétricos que o continente instala por ano, e o triplo das bombas de calor necessárias.
A conclusão é do novo relatório da Ember, que indica que a base industrial europeia de tecnologias limpas é muito mais forte do que geralmente se assume e que, mesmo quando as importações são inevitáveis, estas comportam riscos estruturalmente mais baixos do que os combustíveis fósseis que substituem.
Na análise “Uma rutura limpa: abandonar a volatilidade dos combustíveis fósseis pela segurança das tecnologias limpas”, o ‘think tank’ de energia indica que, nos primeiros dois meses da guerra no Irão, os picos de preços dos combustíveis fósseis custaram à Europa mais 18,5 mil milhões de euros adicionais, indicando que a dependência da Europa dos combustíveis fósseis “continua a ser uma vulnerabilidade significativa”. Com 85% do seu abastecimento energético fóssil importado de fora do bloco, os custos energéticos e a estabilidade económica do continente estão diretamente ligados a mercados que não controla, advertem os analistas.
Entre 2021 e 2024, as importações de combustíveis fósseis custaram à UE 1,8 biliões de euros. A análise mostra que esta exposição não é inevitável, uma vez que só em 2025 os veículos elétricos na Europa evitaram o consumo de 67 milhões de barris de petróleo, poupando 4,1 mil milhões de euros em custos de importação.
“A guerra entre os EUA, Israel e o Irão expôs novamente o quão vulnerável a Europa continua a estar a eventos fora do seu controlo. Mas os dados mostram um quadro mais encorajador. A Europa já tem uma base industrial forte em tecnologias limpas e, quando são necessárias importações, os riscos são fundamentalmente diferentes dos combustíveis fósseis”, refere Tom Harrison, analista de Energia da Ember. E detalha que “um painel solar é importado uma vez e gera eletricidade doméstica durante décadas; os combustíveis fósseis exigem importações contínuas e qualquer interrupção apaga imediatamente as luzes. A eletrificação não é uma escolha entre segurança e acessibilidade — é o caminho para ambas. As ferramentas e a base industrial já existem; o que falta agora é uma política que acompanhe a velocidade da tecnologia”.
Exportações europeias ultrapassaram 30 mil ME
O relatório conclui que os fabricantes europeus já conseguem satisfazer a procura interna por turbinas eólicas, veículos elétricos e bombas de calor. Nomeadamente, a capacidade anual de produção é de 30 GW em turbinas eólicas, face a 14 GW instalados em 2025; 4,6 milhões de veículos elétricos, face a uma procura de 2,6 milhões; e 7,5 milhões de bombas de calor, quase três vezes a procura atual.
A Ember frisa ainda que o setor eólico europeu inclui alguns dos maiores fabricantes mundiais, como a Siemens Gamesa, sediada na Alemanha, que foi o maior fornecedor de turbinas eólicas offshore a nível global em 2025.
Nesse mesmo ano, as exportações europeias de turbinas eólicas e veículos elétricos valeram pouco mais de 30 mil milhões de euros.
Nos casos em que a Europa ainda depende de importações, como painéis solares, elétrodos para baterias ou ímanes permanentes, o relatório mostra que a dependência é estruturalmente diferente da dos combustíveis fósseis.
Um único carregamento de painéis solares gera tanta eletricidade como um navio de gás natural liquefeito (GNL), mas, ao contrário do GNL, os painéis continuam a produzir energia durante mais de 20 anos sem necessidade de novas importações.
Os combustíveis fósseis têm de ser importados continuamente; qualquer interrupção afeta imediatamente os consumidores. Já as tecnologias limpas, uma vez instaladas, continuam a produzir energia mesmo que as cadeias de abastecimento sejam interrompidas, frisa a Ember.
O relatório também dá conta de que a indústria de tecnologias limpas emprega já cerca de 1,8 milhões de pessoas em toda a Europa e, sendo que este número poderá atingir 2,3 milhões até 2030.
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