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Mais de 8,5 mil parques eólicos e solares na Europa correm riscos de cibersegurança
Em Portugal foram apenas identificados dez sistemas associados a parques eólicos e solares em risco, correspondendo a cinco instalações solares e a cinco instalações eólicas, enquanto Espanha conta com mais de 2,7 mil sistemas identificados.
07 Out 2026 - 10:32
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Mais de 8,5 mil sistemas associados a parques eólicos e solares na Europa estão expostos à internet e podem representar riscos de cibersegurança, segundo uma investigação da empresa neerlandesa Modat.
A maioria dos sistemas expostos está associada a instalações solares. Foram identificados 7,9 mil sistemas em 34 países, dos quais mais de 2,7 mil estão em Espanha, que concentra 35% do total. Espanha, Grécia, Itália e Alemanha representam, em conjunto, 76% dos sistemas identificados pelo estudo. Já na energia eólica, foram encontrados 605 sistemas em 23 países, com Alemanha e Itália a concentrarem 67% do total, com 212 e 192 sistemas, respetivamente.
Em Portugal foram apenas identificados dez sistemas em risco, correspondendo a cinco instalações solares e a cinco instalações eólicas.
De acordo com a empresa especializada em cibersegurança, o relatório, To See the Wind and the Sun, mostra até que ponto estas infraestruturas estão expostas e o que o setor pode fazer para as proteger. Além dos 8,547 sistemas vulneráveis já identificados, os investigadores acreditam que existem ainda mais sistemas por sinalizar.
De acordo com a empresa, a Ucrânia deve servir de exemplo, ao mostrar como uma rede descentralizada de energia eólica e solar é importante, uma vez que consegue resistir a drones, mísseis e sabotagem de uma forma que as grandes centrais não conseguem.
No entanto, no ciberespaço, “a dispersão não oferece a mesma proteção”, alertam os investigadores: “Cada instalação acessível através da internet está tão próxima de um atacante como qualquer outra. E a inteligência artificial permite agora que qualquer pessoa faça o mapeamento desta superfície de ataque em poucas horas, tanto defensores como atacantes”, lê-se no relatório, a que o Jornal PT Green teve acesso.
As energias renováveis geraram 54% da eletricidade da UE no segundo trimestre de 2026, segundo o Eurostat. A energia solar (42%) e a eólica (28%) representaram as maiores parcelas da produção renovável.
“Fisicamente, o vento e o sol são as partes mais robustas do nosso fornecimento de energia. Digitalmente, são fragmentados, estão frequentemente expostos à internet e nem sempre são monitorizados. Aquilo que conseguimos mapear em poucas horas também pode ser mapeado por um atacante em poucas horas. Não é possível proteger aquilo que não se consegue ver e ninguém consegue, sozinho, ter uma visão completa deste cenário”, afirma Soufian El Yadmani, fundador e diretor executivo da Modat.
Entre as medidas recomendadas aos operadores para proteger os sistemas estão a retirada imediata das interfaces de administração da internet, a adoção de ligações seguras e a monitorização dos sistemas como se já tivesse ocorrido uma intrusão.
O relatório recomenda ainda que sejam considerados diferentes modos de operação, incluindo a possibilidade de operar manualmente os sistemas de tecnologia operacional (OT), e que os procedimentos possam ser adaptados em função do nível de ameaça ou de determinados eventos.
Os operadores devem também garantir visibilidade sobre os ativos, a arquitetura e os acessos aos sistemas, incluindo as ligações de fornecedores e prestadores de serviços.
A Modat defende, por fim, uma maior cooperação e partilha de informação entre empresas do setor e entre entidades nacionais e europeias, nomeadamente sobre ameaças, experiências e conhecimentos de cibersegurança.
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