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Mais renováveis não garantem menos gás se não se eletrificar aquecimento e reduzir produção elétrica a gás
Instituto de Economia Energética e Análise Financeira alerta que a redução do consumo de gás pelas famílias nos últimos anos pode ser revertida num inverno frio e defende a combinação de energia eólica, solar e bombas de calor.
08 Nov 2026 - 10:54
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A União Europeia (UE) reduziu o consumo de gás natural em cerca de 20% entre 2021 e 2024, mas uma parte significativa das poupanças alcançadas pelas famílias poderá desaparecer num único inverno frio.
O Instituto de Economia Energética e Análise Financeira (IEEFA, na sigla inglesa) alerta que a expansão das energias renováveis não garante, por si só, uma menor utilização de gás e defende a combinação de energia eólica, solar e bombas de calor para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.
Num novo relatório divulgado nesta quinta-feira, o IEEFA recorda as lições tiradas da aplicação do programa europeu RePower EU, que visava a segurança energética europeia em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia. “Uma das principais lições é que a instalação de energia eólica e solar não reduz automaticamente o consumo de gás. O impacto depende de cada país: da quantidade de gás utilizada nas centrais elétricas, da possibilidade de desenvolver energia eólica em paralelo com a solar e do grau de eletrificação do aquecimento nas habitações e na indústria”, referem os analistas.
A UE reduziu a sua procura de gás em aproximadamente 80 mil milhões de metros cúbicos (bcm), ou 20%, entre 2021 e 2024. Cerca de 32% desta redução teve origem nas famílias, 30% na indústria, 28% na produção de calor e eletricidade e 10% nos serviços comerciais e públicos.
A Alemanha (16,6 bcm) e a Itália (14,0 bcm) foram responsáveis, em conjunto, por quase 35% da redução total entre 2021 e 2024. Seguiram-se a França, os Países Baixos e Espanha, elevando a contribuição conjunta dos cinco principais países para aproximadamente 56,5 bcm (72%). No extremo oposto, a Polónia registou o maior aumento do consumo de gás na produção de calor e eletricidade, provavelmente devido à substituição do carvão pelo gás nas centrais.
No que respeita à redução do consumo de gás pelas famílias entre 2021 e 2024, a Alemanha (7,0 bcm), a Itália (5,1 bcm) e a França (3,5 bcm) registaram as maiores descidas. “Os invernos mais amenos, as medidas de eficiência energética, a redução da procura de aquecimento em resposta aos preços elevados e a instalação de bombas de calor terão contribuído para este resultado”, conclui o relatório.
O consumo de gás pela indústria também diminuiu acentuadamente na Alemanha (6,0 bcm) e em Itália (2,8 bcm) durante o mesmo período. No entanto, segundo o IEEFA, não é claro em que medida esta redução reflete verdadeiros ganhos de eficiência.
A redução da procura de gás na UE é real, reconhece o instituto, tendo praticamente todos os Estados-membros contribuído para esse resultado. Contudo, a maior parte da redução está concentrada num pequeno grupo de grandes economias e resulta, em larga medida, do comportamento das famílias.
Os investimentos dos países
Apesar dos progressos, a Itália continua a ser o maior produtor de eletricidade a partir de gás na UE. Os analistas referem que o país não está a aproveitar todo o seu potencial para substituir o gás devido aos atrasos nos processos de licenciamento.
Em toda a UE, a substituição mais evidente do gás pela energia eólica e solar ocorreu nos países onde o gás tinha um peso significativo na produção de eletricidade e onde as energias renováveis conseguiram expandir-se rapidamente. Espanha e os Países Baixos são os exemplos mais claros, nesta análise. Ambos os países estão entre os quatro maiores consumidores de gás para produção de eletricidade do bloco.
A Finlândia é o exemplo mais claro de substituição através de uma única tecnologia. Depois de perder o acesso ao gás russo transportado por gasoduto, o país instalou mais capacidade eólica em relação à sua população do que qualquer outro Estado-membro da UE. A energia eólica permitiu substituir parcialmente o gás e o carvão no cabaz energético.
Portugal, também referido nesta análise, é destacado porque possui um parque de energias renováveis já significativo para relegar o gás para uma função de reserva em anos de menor produção hídrica. O instituto refere que as renováveis forneceram quase 66% da eletricidade do país em 2024.
Nos países onde a capacidade renovável aumentou, mas a produção a gás diminuiu pouco ou quase nada, a explicação “é estrutural e não representa necessariamente uma falha na expansão das energias renováveis”, conclui o IEEFA.
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