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Maioria dos portugueses considera transição energética urgente para o país
Redução da dependência das importações de petróleo e gás, preços mais baixos e abrandamento das alterações climáticas entre os principais benefícios esperados, segundo um novo inquérito do Banco Europeu de Investimento.
05 Nov 2026 - 11:11
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A maioria dos portugueses (85%) considera que a transição energética é urgente para o país, uma percentagem superior à média da União Europeia (UE), de 75%, e uma das mais elevadas entre os Estados-membros, conclui um novo inquérito realizado pelo Banco Europeu de Investimento (BEI).
Questionados sobre os benefícios que esperam da transição energética, também 85% apontam a redução da dependência das importações de petróleo e gás, já 84% esperam preços mais estáveis ou mais baixos e 79% esperam que contribua para abrandar as alterações climáticas.
Segundo esta que é a oitava edição do Inquérito sobre o Clima, em todos os Estados-membros, a maioria dos inquiridos considera que a transição energética ajudará a travar as alterações climáticas, com valores que variam entre 58% na Estónia e 87% na Hungria.
Segundo o estudo, a ordem de importância mudou desde 2022. Há quatro anos, travar as alterações climáticas era o benefício mais referido em Portugal e noutros 18 Estados-membros. A redução das importações de petróleo e gás liderava em oito países, enquanto a estabilidade ou descida dos preços não era a principal expectativa em nenhum.
Atualmente, a redução da dependência energética ocupa o primeiro lugar em Portugal e noutros 15 Estados-membros. A estabilidade ou descida dos preços lidera em oito países e o combate às alterações climáticas em três.
“Portugal tem desempenhado um papel de liderança na transição energética limpa da Europa. Os excecionais recursos de energia renovável do país representam uma oportunidade fundamental para reduzir a dependência europeia dos combustíveis fósseis importados, reforçar a autonomia e a segurança energéticas e diminuir os custos da energia para as empresas e os cidadãos”, afirma Nadia Calviño, presidente do Grupo BEI.
Questionados sobre as consequências de a UE avançar demasiado lentamente na transição energética, os portugueses apontam, em primeiro lugar, o aumento da dependência das importações de petróleo e gás (80%, face a 78% na UE). Logo a seguir, 79% identificam o risco de uma subida dos preços da energia e do custo de vida a longo prazo, em linha com a média europeia.
Por outro lado, três em cada quatro portugueses (75%) afirmam que sentiriam maior orgulho em ser europeus se a UE alcançasse a independência energética, uma das percentagens mais elevadas entre os Estados-membros. A média europeia é de 62%.
Mudança de hábitos pela subida de preços
A subida dos preços do gás, dos combustíveis rodoviários, do gasóleo de aquecimento e da eletricidade reduziu “significativamente” o poder de compra de 68% dos portugueses nos últimos 12 meses, acima dos 60% registados na UE. Para 23%, o impacto foi “muito significativo”, contra 20% na média europeia.
Para fazer face ao aumento dos preços, 34% dos inquiridos afirmam ter reduzido as despesas do dia a dia com alimentação ou saúde, enquanto 24% diminuíram a utilização do aquecimento. Para alguns, o impacto foi além da redução das despesas: 13% dizem ter contraído dívidas, pedido ajuda financeira ou adiado o pagamento de uma fatura de energia.
Também a utilização do automóvel foi afetada. Quase dois terços dos portugueses (65%, contra 60% na UE) afirmam ter alterado os seus hábitos de utilização devido à subida dos preços.
Entre as mudanças identificadas, 23% reduziram as deslocações para necessidades básicas, como fazer compras, ir a consultas médicas ou tratar de assuntos administrativos. Outros 33% prescindiram de escapadinhas de fim de semana, férias ou visitas a familiares e amigos, acima da média europeia de 30%.
Além disso, 28% passaram a conduzir mais devagar para poupar combustível, uma das percentagens mais elevadas da UE, cuja média é de 22%. Outros 22% substituíram deslocações individuais de automóvel por partilha de viagens, transportes públicos ou bicicleta, em linha com a média europeia.
Portugueses querem tecnologias limpas
Também nesta área os portugueses se encontram acima da média europeia. Nomeadamente, 88% dos portugueses defendem que deve ser dada prioridade às fontes de energia com baixas emissões de carbono, uma percentagem próxima da média europeia (87%).
A energia solar é a opção mais referida, com 64% das respostas, bastante acima dos 52% registados na UE. Segue-se a energia eólica, com 49%, também acima da média europeia de 37%.
Questionados sobre a estratégia que a UE deve privilegiar na transição energética, 59% dos portugueses preferem desenvolver uma indústria europeia competitiva de tecnologias limpas, mesmo que isso implique um processo mais demorado. Na UE, esta opção reúne 55% das respostas.
No financiamento dos investimentos necessários à transição energética, 68% preferem que os países da UE juntem recursos, contra 59% na média europeia. Apenas 26% defendem que cada país deve financiar os investimentos individualmente, face a 31% na UE.
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