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Maria da Graça Carvalho: “A energia é o maior factor de competitividade em Portugal”
Na conferência celebratória do primeiro aniversário do Jornal PT Green, a ministra salientou a importância da incorporação de renováveis no mix energético para “proteger os preços da eletricidade”
23 Set 2026 - 10:54
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Ministra do Ambiente e Energia Maria da Graça Carvalho | Foto Melissa Dores
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Ministra do Ambiente e Energia Maria da Graça Carvalho | Foto Melissa Dores
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, defende que a transição energética é essencial para garantir a soberania, a segurança do abastecimento e a sustentabilidade do país, sendo este “o maior factor de competitividade em Portugal”.
Na abertura da conferência celebratória do primeiro aniversário do Jornal PT Green, a decorrer na manhã desta quarta-feira na Biblioteca Nacional, a ministra salientou ainda a importância da incorporação de renováveis no mix energético para “proteger os preços da eletricidade”, comparando com outros países europeus mais dependentes de combustíveis fósseis, como Itália.
No balanço do ano, até agosto, as renováveis garantiram 74.4% da geração elétrica do país, com uma percentagem superior a 80%, colocando o país “numa posição muito confortável”, segundo Maria da Graça Carvalho. A energia hídrica lidera o mix energético nacional, seguida pela eólica e pela solar.
“Pretendemos aumentar ainda esta percentagem de energia renovável, mas antes disso, é importante perceber, que nesta crise, as renováveis têm protegido os preços da eletricidade até agora. Isto porque há muito poucas horas em que o preço da eletricidade é ditado pelo gás”, afirma a ministra.
Na sua intervenção de abertura, Maria da Graça Carvalho considera ainda que as renováveis “são a aposta certa” para países que, tal como Portugal, não dispõem de energia nuclear, nem de combustíveis fósseis.
Apesar do potencial e da capacidade do país para produzir renováveis, a ministra salienta a importância do armazenamento para garantir a resiliência energética do país, principalmente num contexto de crise energética.
“Com mais armazenamento vamos tirar muito mais partido das renováveis, como por exemplo a solar que não é aproveitada completamente”, reforça. Atualmente, no que diz respeito ao armazenamento em baterias, o país deverá alcançar até ao fim da década uma capacidade de 3 GW, comparado com os 1.6 GW de capacidade atuais.
Já no armazenamento hídrico, Portugal conta atualmente com 3,5 GW de armazenamento e pretende alcançar os 3.9 GW até 2030.
A ministra reforçou ainda que o país deverá diminuir a dependência de combustíveis fósseis em 50%, até 2034, através da incorporação de gases renováveis e da eletrificação dos transportes. Atualmente, o Fundo Ambiental conta com 1,25 mil milhões de euros destinados a medidas de descarbonização e mitigação, bem como a intervenções nos setores da água e da floresta.
Já o Fundo de Modernização, de origem europeia, será direcionado para a eletrificação dos transportes de mercadorias, abrangendo veículos ligeiros e pesados.
No que diz respeito ao Fundo Social do Clima, a proposta portuguesa deverá ser entregue até ao final de setembro e prevê uma dotação de 1,6 mil milhões de euros até 2032. Segundo a ministra, a definição dos apoios deverá ter em conta as regras negociadas com a União Europeia. Do lado de Portugal, o Governo pretende estabelecer uma definição mais alargada de vulnerabilidade, considerando não só o rendimento das famílias, mas também a vulnerabilidade dos territórios e de determinados setores e empresas.
Entre as medidas previstas está a eletrificação dos transportes, nomeadamente através da disponibilização de autocarros elétricos em territórios de baixa densidade.
Maria da Graça Carvalho destacou ainda os projetos de produção de hidrogénio verde apoiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), defendendo que este recurso deve ser direcionado para os setores onde não existam outras alternativas renováveis.
“Temos de guardar o hidrogénio para aquilo que não pode ser outro gás renovável a ser utilizado”, sublinha a ministra.
A ministra terminou a intervenção reiterando que a transição energética de Portugal “é a estratégia para reforçar a soberania nacional, proteger a economia dos choques externos e construir um país mais competitivo, resiliente e sustentável”.
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