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Menos de 1% das empresas reporta impactos sobre biodiversidade

Relatório do IPBES, elaborado ao longo de três anos, revela que apenas 3% dos financiamentos globais apoiaram a conservação da natureza, enquanto 97% tiveram impactos negativos. E propõe mais de 100 ações para alinhar lucro e sustentabilidade.

10 Fev 2026 - 07:45

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Foto: Freepik

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A incapacidade de medir e gerir impactos sobre a biodiversidade representa uma das maiores barreiras à transição das empresas para um modelo sustentável. Menos de 1% das empresas que divulgam relatórios públicos mencionam explicitamente os seus efeitos sobre a natureza, aponta o novo relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES, na sigla em inglês), elaborado ao longo de três anos por 79 especialistas de 35 países.

O estudo, aprovado por mais de 150 governos, sublinha que todas as empresas dependem da natureza e, ao mesmo tempo, impactam-na de forma significativa. E destaca que o crescimento económico global tem vindo a ocorrer à custa de perdas de biodiversidade, criando riscos sistémicos para cadeias de valor, mercados financeiros e bem-estar humano.

Segundo o relatório, os incentivos financeiros atuais continuam a apoiar práticas que degradam a natureza. Em 2023, cerca de 7,3 biliões de dólares (6,8 biliões de euros) em financiamentos públicos e privados tiveram impactos negativos diretos sobre a biodiversidade, enquanto apenas 220 mil milhões de dólares (205 mil milhões de euros) foram direcionados para conservação e restauro, ou seja, apenas 3% do total.

Além disso, falta de informação confiável, obstáculos institucionais e a complexidade das metodologias dificultam que as empresas adotem práticas mais sustentáveis de forma consistente e eficiente.

100 medidas para alinhar lucro e sustentabilidade

Os autores defendem que é possível alinhar lucro e sustentabilidade, mas isso exige métricas confiáveis e comparáveis, integração de dados científicos e conhecimento indígena, e colaboração com governos, investidores e sociedade civil.

O relatório apresenta mais de 100 ações concretas para empresas e outros atores, incluindo aumento da eficiência, redução de resíduos e emissão de gases, transparência nos impactos e revisão de incentivos financeiros.

Entre as medidas destacam-se a definição de metas científicas claras e mensuráveis, a incorporação de avaliações de biodiversidade nas decisões estratégicas e de investimento, a revisão de incentivos internos que prejudicam a natureza, o investimento em soluções baseadas na natureza, como restauração de habitats e agricultura regenerativa, e a colaboração com comunidades locais, povos indígenas e especialistas científicos para garantir que as ações empresariais sejam eficazes e sustentáveis a longo prazo.

“A perda de biodiversidade está entre as ameaças mais graves para as empresas. No entanto, a dura realidade é que, muitas vezes, parece mais rentável para as empresas degradar a biodiversidade do que protegê-la. O modelo de negócio business as usual pode ter parecido lucrativo a curto prazo, mas os impactos combinados de múltiplas empresas podem ter efeitos cumulativos, que se traduzem em impactos globais e podem ultrapassar pontos de rutura ecológicos”, refere Stephen Polasky, corresponsável pelo relatório.

 

 

 

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