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Minas de carvão polacas continuam a emitir metano apesar de proibição da UE
Satélites detetaram 109 emissões massivas em 2025, revelando violação sistemática do Regulamento Europeu do Metano. Polónia não apresentou sistema de penalizações.
12 Fev 2026 - 07:30
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Foto: Ember
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Foto: Ember
A Polónia tornou-se o maior super-emissor de metano da União Europeia no setor dos combustíveis fósseis, numa clara violação do Regulamento Europeu do Metano que entrou em vigor em 2025. Uma análise por satélite, publicada pela think thank Ember, revela que 96% das emissões de metano detetadas sobre infraestruturas energéticas europeias (109 em 114 eventos registados) têm origem em minas de carvão polacas.
Os dados, obtidos através de dez sensores de alta resolução, expõem a persistência das emissões mesmo após a implementação de legislação europeia que proíbe expressamente a ventilação de metano dos sistemas de drenagem das minas. O metano, um gás com efeito de estufa 80 vezes mais potente que o dióxido de carbono no aquecimento da atmosfera, está a ser libertado de forma deliberada em pelo menos cinco dos 22 sistemas de drenagem investigados nas minas polacas.
A dimensão das libertações é particularmente alarmante nas minas de carvão metalúrgico, responsáveis por 90 dos 109 eventos detetados, apesar de representarem apenas 25% da produção total de hulha (carvão betuminoso) na Polónia. Em média, estas minas emitem mais de 1000 kg de metano por hora, com o maior evento isolado a atingir 7557 kg/h, o equivalente ao impacto climático de 117 mil automóveis em circulação durante uma hora.
O estudo da Ember sublinha que estas deteções representam apenas as emissões observadas durante as passagens dos satélites, o que significa que quantidades adicionais de metano podem ter sido ventiladas fora dos períodos de observação, escapando ao escrutínio tecnológico.
“O metano ventilado dos sistemas de drenagem – se capturado – poderia aquecer 14,5 milhões de lares polacos durante uma semana”, calculam os investigadores. Em 2024, as minas de carvão polacas utilizaram 70% do metano de drenagem capturado, mas emitiram 57 mil toneladas não utilizadas para a atmosfera. “Este gás de drenagem, rico em metano, poderia ser usado como fonte de energia”, sinalizam.
Ausência de fiscalização e de penalizações
A situação é agravada pela ausência de mecanismos de verificação e penalização. Até à data, vários Estados-membros, incluindo a República Checa e a Roménia, países que também possuem minas de carvão emissoras de metano, já submeteram os seus quadros de sanções ou projetos de penalizações. A Polónia, o maior emissor de metano de minas de carvão da União Europeia, não o fez.
Esta omissão levanta sérias questões sobre a vontade política de Varsóvia em cumprir as obrigações europeias em matéria climática. Para Adomas Liepa, cientista de observação terrestre na Ember, o incumprimento polaco mostra que o regulamento precisa de medidas concretas, como “a monitorização rigorosa e sanções significativas para proporcionar reduções significativas das emissões”.
Análises anteriores da Ember demonstram que a Polónia poderia reduzir as emissões de metano da indústria de combustíveis fósseis da UE em 15%, a um custo inferior a um euro por kg de metano. A Agência Internacional de Energia estima que, sozinha, a Polónia poderia eliminar até 414 mil toneladas de metano por ano, metade das emissões totais de metano de minas de carvão que estavam ativas na UE em 2023.
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