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Nova central de biometano de 20,5 milhões prevista para Alenquer

Projeto terá capacidade para tratar 84 mil toneladas de resíduos agropecuários por ano, produzir 65 GWh de gás renovável.Investimento aguarda pelo licenciamento ambiental.

07 Ago 2026 - 07:44

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Foto: Freepik

Foto: Freepik

A Gás da Terra quer investir 20,5 milhões de euros na construção em Alenquer de uma unidade de transformação de efluentes agropecuários em gás natural e biofertilizante agrícola, pioneira no país, disse à Lusa o diretor-geral da empresa.

“A unidade transforma matérias orgânicas num ambiente fechado, faz a sua decomposição e fermentação, depois esse biogás é limpo, extraído e limpo e injetado na rede, é gás natural, e ainda temos o produto sobrante, que é basicamente um biofertilizante que depois a seguir é aplicado nas terras para a nutrição das terras”, explicou à agência Lusa Bernardo dos Santos, diretor-geral da empresa Gás da Terra, promotora do investimento.

O projeto de valorização de compostos agroindustriais – apresentado nesta quinta-feira à população do concelho – vai produzir por ano, de forma ininterrupta, 65 gigawatts/hora, correspondentes a uma central solar de 50 hectares, tendo capacidade para 84 mil toneladas/ano, refere.

O investimento aguarda pelo licenciamento ambiental, devendo entrar em breve em consulta pública e obter a Declaração de Impacto Ambiental até meados de 2027, e pela licença de construção pela câmara municipal. “Gostaríamos de começar a construir o projeto daqui a um ano”, apontou.

A unidade vai criar cerca de 10 postos de trabalho diretos e outros 20 indiretos e faturar cerca de seis milhões de euros por ano.

À semelhança das mais de 30 já existentes em toda a Europa, a unidade contribui para a economia circular ao valorizar e dar um destino aos compostos orgânicos agropecuários, contribuir para a descarbonização da rede de gás, com a integração do gás natural e a redução das importações de gás fóssil, e produzir um biofertilizante que substitui os fertilizantes químicos para adubar os solos agrícolas.

“Estes projetos são normalmente sempre projetos com uma grande proximidade à produção dos resíduos”, acrescentou o responsável, com o objetivo e contribuir para descarbonização, com a redução de custos energéticos, e para a pegada ecológica.

A unidade está prevista para a localidade de Marés, na freguesia da Abrigada e Cabanas de Torres, um local escolhido de forma estratégica dada a ligação direta à Estrada Nacional 1 e à rede nacional de gás.

Nas redes sociais, a CDU de Alenquer alertou que “se a central vier a ser uma realidade, vem trazer sérias consequências ambientais e a degradação da qualidade de vida das populações limítrofes”.

Conscientes dos impactos a nível do tráfego rodoviário, do ruído e dos maus cheiros, os promotores estão empenhados em mitigá-los com a proximidade entre explorações agrícolas e a infraestrutura e o cumprimento da legislação de odores mais restritiva a nível europeu.

Por um lado, a localização evita distâncias maiores no transporte rodoviário quer para transportar os efluentes, quer os biofertilizantes. Estão previstos 35 camiões por dia apenas nos dias úteis e durante o período diurno. Além disso, a unidade vai ser implantada numa área de cinco hectares com árvores ao redor e vai receber compostos agroindustriais de 18 explorações de aves, suínos e bovinos até 30 quilómetros de distância.

Os promotores garantem que todo o processo desde o armazenamento dos efluentes até ao tratamento é feito em instalações fechadas e controladas por tecnologia para evitar a propagação de odores e de poeiras ou o vazamento de águas contaminadas para os solos.

Para receber os efluentes, a unidade vai dispor de tanques de descarga dos efluentes com mangueiras de ligação, “para que não haja descargas a céu aberto nem libertação de odores”.

O processo de transformação do metano dos efluentes em gás natural retira também os odores, tornando o sobrante para biofertilizante com menos odor do que os estrumes de animais.

Uma vez que a fertilização dos campos é feita em certos períodos do ano, a exploração vai também ter depósitos “para garantir que só entrega aos agricultores o biofertilizante quando ele é necessário na preparação das terras, para evitar um subtransporte”.

Segundo a empresa, o projeto evita a emissão de 440 mil toneladas de dióxido de carbono, equivalente a uma floresta com 500 mil árvores.

“Como os resíduos têm que vir o mais rápido possível para a unidade, nós conseguimos efetivamente que essa emissão do metano já seja feita dentro dos digestores e não para a atmosfera”, além de evitar o armazenamento do estrume nas explorações agropecuárias, explicou o diretor-geral da Gás da Terra.

Quando os efluentes chegam à unidade são sujeitos a análises para garantir que apenas têm os minerais indispensáveis à fertilização dos campos, evitando a sua contaminação com metais pesados. Os biofertilizantes não só vêm substituir os fertilizantes químicos, como também permitem aos agricultores reduzirem custos e adotar práticas mais amigas do ambiente.

Ao consumirem o gás natural, várias indústrias deixam de pagar licenças das emissões de dióxido de carbono.

A empresa quer criar uma comissão de acompanhamento e um canal de contacto para receber as preocupações das populações limítrofes.

Os promotores têm projetos semelhantes para Torres Novas, Santarém e Benavente.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

 

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