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Nova geração de painéis solares pode evitar 8,2 mil milhões de toneladas de CO2 até 2035
Estudo de universidades britânicas mostra que a transição da indústria fotovoltaica para a tecnologia TOPCon reduz o impacto ambiental da produção solar em 15 das 16 categorias analisadas.
16 Fev 2026 - 12:57
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A fabricação de painéis solares de última geração poderá evitar até 8,2 mil milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono equivalente até 2035, cerca de 14% das emissões globais anuais que se registam atualmente. A conclusão é de um estudo publicado na revista Nature Communications, conduzido por investigadores das universidades britânicas de Warwick, Northumbria, Birmingham e Oxford.
A pesquisa analisa a transição em curso na indústria fotovoltaica, que está progressivamente a abandonar o modelo dominante PERC (sigla inglesa para célula traseira com emissor passivado) em favor de um formato mais eficiente, como TOPCon (contato passivado por óxido de túnel). Até agora, as implicações ambientais desta mudança não tinham sido avaliadas de forma abrangente, esclarece a nota da Universidade de Warwick.
Recorrendo a modelação do ciclo de vida dos dois tipos de tecnologia, os investigadores evidenciaram que a produção de painéis TOPCon apresenta menor impacto ambiental em 15 das 16 categorias estudadas, incluindo uma redução de 6,5% nas emissões por unidade de capacidade elétrica instalada. O único ponto negativo identificado é o maior consumo de prata, um mineral crítico, cujas reservas são limitadas.
O estudo denota ainda que o local de fabrico tem um peso determinante no balanço ambiental. Produzir painéis solares em países com redes elétricas descarbonizadas, como acontece na Europa, reduz de forma significativa as emissões associadas ao processo industrial, quando comparado a economias dependentes de combustíveis fósseis
Combinando a adoção generalizada da tecnologia TOPCon, melhorias nos processos de fabrico e a descarbonização das redes elétricas utilizadas na produção, os investigadores estimam uma redução potencial de 8,2 gigatoneladas de CO2 equivalente até 2035. Adicionalmente, os painéis instalados entre 2023 e 2035 deverão evitar mais de 25 gigatoneladas de emissões, ao substituir eletricidade produzida a partir de combustíveis fósseis.
“A energia solar fotovoltaica é uma tecnologia crítica que pode ser usada globalmente já hoje para reduzir significativamente as emissões de gases com efeito de estufa”, afirmou Neil Beattie, professor da Universidade de Northumbria e autor sénior do estudo. Considera que “isto é especialmente importante quando a nossa procura de eletricidade vai disparar na próxima década, impulsionada pelos transportes, pelo aquecimento e pela infraestrutura digital para a inteligência artificial”.
O estudo surge num momento em que a indústria solar se prepara para atingir uma escala de produção de múltiplos terawatts, uma ordem de grandeza que torna urgente a avaliação rigorosa da pegada ambiental do próprio processo de fabrico. Nicholas Grant, professor associado da Universidade de Warwick, defende que “melhorias direcionadas ao longo da cadeia de fornecimento podem garantir um fabrico sustentável à escala do terawatt”.
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