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Nove em cada dez líderes empresariais defendem transição ambiental para reforçar competitividade da UE

Inquérito da WWF junto de líderes empresariais europeus revela que 56% das empresas consideram improvável que a UE consiga atingir os seus principais objetivos de sustentabilidade nas atuais condições.

24 Set 2026 - 13:08

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Foto Freepik

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Nove em cada dez líderes empresariais europeus consideram que a transição para uma economia de baixo carbono e ambientalmente sustentável reforça a competitividade da União Europeia (UE) a longo prazo, mostra o inquérito “Beyond Uncertainty” da GlobeScan a 350 líderes empresariais seniores sobre a relação entre sustentabilidade e competitividade, encomendado pela WWF. 

O estudo, realizado entre junho e julho de 2026, mostra que 91% dos inquiridos associam a transição ambiental a ganhos de competitividade. No entanto, 55% afirmam que os recentes esforços da UE para simplificar a legislação ambiental e de sustentabilidade tiveram um impacto negativo ou neutro nas suas empresas.

Apenas 29% dos líderes empresariais inquiridos identificam impactos positivos das recentes iniciativas europeias de simplificação da legislação. 

Entre os que reportaram efeitos negativos ou neutros, 57% apontam o aumento da incerteza sobre a futura orientação das políticas europeias como uma das principais consequências.

A previsibilidade das políticas e da legislação surge, aliás, como a principal prioridade apontada pelas empresas para reforçar a competitividade da UE, escolhida por 43% dos inquiridos. Seguem-se o investimento público e os incentivos, com 31%, e a disponibilização de energia limpa a preços acessíveis, com 29%.

Para os responsáveis empresariais inquiridos, a continuidade da transição ecológica está associada a fatores como a redução da exposição aos riscos climáticos e de perda de natureza, uma maior segurança energética e de recursos e custos mais estáveis e previsíveis.

O inquérito revela ainda que 56% dos líderes empresariais consideram improvável que a UE consiga atingir os seus principais objetivos de sustentabilidade nas atuais condições.

Estes resultados surgem num contexto de debate europeu sobre a simplificação das regras ambientais e de sustentabilidade. Segundo dados citados no relatório, o custo de não implementar plenamente a legislação ambiental existente é estimado pela Comissão Europeia em cerca de 180 mil milhões de euros por ano, enquanto as poupanças administrativas anuais resultantes dos esforços de simplificação são avaliadas em 17 mil milhões de euros.

Para a WWF Portugal, os resultados contrariam a ideia de que o enfraquecimento da legislação ambiental contribui necessariamente para a competitividade das empresas. “A desregulamentação não vai salvar a Europa da crise climática e as empresas já perceberam isso”, afirma Sofia Almeida, técnica de políticas da organização, em comunicado.

O estudo refere ainda os impactos económicos associados ao calor extremo registado na Europa. Segundo uma estimativa citada pela WWF, as temperaturas extremas deste verão poderão reduzir o PIB da UE em cerca de 1% em 2026, devido aos danos económicos associados.

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