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OMM confirma janeiro de extremos climáticos no mundo com a Europa fustigada por tempestades

Em Portugal, a tempestade Kristin fez cinco vítimas mortais e deixou destruição de norte a sul. A OMM alerta para intensificação de fenómenos meteorológicos extremos e diz que os serviços de alerta precoce são essenciais para evitar mortes.

31 Jan 2026 - 10:32

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Primeiro-ministro Luís Montenegro visita concelhos afetados pela tempestade Kristin, 29 janeiro 2026 | Foto: Gonçalo Borges Dias/GPM

Primeiro-ministro Luís Montenegro visita concelhos afetados pela tempestade Kristin, 29 janeiro 2026 | Foto: Gonçalo Borges Dias/GPM

Grande parte da Europa foi atingida por tempestades consecutivas em janeiro, com precipitação intensa, ventos fortes e ondas altas que causaram perturbações nos transportes e inundações em vários países, do Reino Unido e Irlanda a oeste, até à Península Ibérica, e em toda a região mediterrânica. Nesta semana, Portugal viu um rasto de destruição provocado pela depressão Kristin, com cinco vítimas mortais confirmadas até à data. Leiria, Coimbra, Castelo Branco, Lisboa, Portalegre, Santarém, Setúbal e Guarda foram os distritos mais afetados, segundo avançou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Ao mesmo tempo, o norte e nordeste europeus registaram vagas de frio intenso, num mês que a Organização Meteorológica Mundial (OMM) classificou como de “extremos” a nível global. Os serviços meteorológicos nacionais emitiram múltiplos alertas, incluindo avisos de perigo de vida de nível máximo, num contexto em que a Organização voltou a sublinhar a importância de sistemas de alerta precoce para salvar vidas. “O número de pessoas afetadas por catástrofes relacionadas com o clima continua a aumentar, ano após ano, e os terríveis impactos humanos foram evidentes diariamente neste mês de janeiro”, evidenciou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

O Serviço Meteorológico Alemão (Deutscher Wetterdienst), um dos centros regionais de monitorização climática da OMM na Europa, emitiu um aviso atualizado a 27 de janeiro sobre precipitação acima da média na Gronelândia, noroeste e oeste da Europa e região mediterrânica nas duas semanas seguintes, com totais semanais entre 25 e 100 milímetros, ultrapassando localmente os 100 milímetros em zonas expostas.

O mesmo organismo previu nova propagação de ar frio ártico especialmente no norte e nordeste europeus nas semanas seguintes, afetando a Noruega, Suécia, Finlândia, Rússia europeia (norte), Estónia, Letónia, Lituânia e Bielorrússia (norte).

Vórtice polar enfraquecido alimenta frio extremo

Um vórtice polar enfraquecido e distorcido contribuiu para invasões extensas de ar gélido nas latitudes médias, provocando vagas de frio na América do Norte, Europa e Ásia, e preparando a atmosfera para “tempestades de inverno perturbadoras” em janeiro, avança a OMM.

O vórtice polar é uma massa de ar frio e ventos fortes que normalmente circunda o Pólo Norte. Quando enfraquece, o ar ártico desloca-se para sul e o ar mais quente é sugado para o Ártico. Algumas previsões meteorológicas indicaram que um evento de aquecimento estratosférico súbito sobre o Ártico poderia causar um enfraquecimento significativo do vórtice polar no início de fevereiro, mantendo o risco de novas intrusões de ar ártico na América do Norte e norte da Europa no final do mês.

Extremos globais de calor e precipitação

Enquanto a Europa enfrentava tempestades e frio, outras regiões do planeta registaram calor extremo e incêndios devastadores. Na Austrália, a cidade de Ceduna atingiu 49,5°C no dia 26 de janeiro, um novo recorde local. No Chile, incêndios mortais nas regiões de Biobío e Ñuble forçaram dezenas de milhares de pessoas a evacuar, destruindo centenas de estruturas e causando pelo menos 21 mortes.

Em África, chuvas torrenciais causaram inundações catastróficas em Moçambique, afetando pelo menos 650 mil pessoas e deslocando centenas de milhares, com a destruição de mais de 30 mil casas. A África do Sul declarou estado de catástrofe nacional a 18 de janeiro devido a chuvas e inundações que mataram pelo menos 30 pessoas.

Um estudo da World Weather Attribution concluiu que as alterações climáticas e o fenómeno La Niña se combinaram para criar uma “tempestade perfeita” nas inundações mortais no sul de África, com a intensidade das chuvas intensas a aumentar 40% desde a era pré-industrial.

Alerta precoce reduz mortes em seis vezes

A OMM sublinha que as mortes relacionadas com catástrofes são seis vezes menores em países com boa cobertura de sistemas de alerta precoce, reforçando a urgência de expandir e acelerar a iniciativa “Alertas Precoces para Todos”.

O aumento de temperatura a longo prazo está a alimentar fenómenos meteorológicos extremos mais frequentes. Segundo o sexto relatório de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC, na sigla inglesa), as alterações climáticas provocadas pelo homem aumentaram a frequência e intensidade das ondas de calor desde os anos 1950, e o aquecimento adicional aumentará ainda mais a sua frequência e intensidade.

Celeste Saulo acrescenta que as alterações climáticas figuram consistentemente como um dos principais riscos no relatório anual de Riscos Globais do Fórum Económico Mundial, reforçando a necessidade de investimento em sistemas de monitorização e alerta que permitam proteger vidas e infraestruturas críticas.

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