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ONU apela à transição acelerada para renováveis face a crise fóssil desencadeada pelo conflito no Médio Oriente

“À medida que os países de todo o mundo continuam a depender dos combustíveis fósseis [...] tornou-se claro que estão mais vulneráveis do que nunca a interrupções repentinas no abastecimento”, argumentou António Guterres.

05 Abr 2026 - 10:00

4 min leitura

Foto: Satélite Agência Internacional de Energia (IEA)

Foto: Satélite Agência Internacional de Energia (IEA)

O estreito de Ormuz por onde passa um quinto do abastecimento mundial de petróleo e gás, tem estado praticamente interdito à navegação desde o início conflito no Médio Oriente. Tal interrupção já resultou numa redução do acesso global aos combustíveis, necessários à produção energética, o que levou a um aumento de preços nos mercados internacionais. Este cenário mostra, segundo as Nações Unidas, que “a segurança energética já não se resume apenas ao abastecimento, mas também à resiliência e à procura de fontes de energia alternativas num mundo cada vez mais instável”.

Nesse sentido, a ONU argumenta a favor de “uma transição mais rápida para energias renováveis mais baratas e resilientes”, como solar, eólica e hidráulica. O secretário-geral da organização, António Guterres, sinalizava: “Nesta era de guerra […] o nosso vício em combustíveis fósseis está a desestabilizar tanto o clima como a segurança global”.

Desde o início da guerra, tornou-se evidente, a ver da organização, que importantes fontes de abastecimento de petróleo e gás estão concentradas em regiões vulneráveis a conflitos, as rotas de transporte podem ser interrompidas por uma escalada militar e que a volatilidade dos preços se propaga rapidamente pelas economias.

“À medida que os países de todo o mundo continuam a depender dos combustíveis fósseis para satisfazer as necessidades diárias dos cidadãos e impulsionar o crescimento económico, tornou-se claro que estão mais vulneráveis do que nunca a interrupções repentinas no abastecimento”, constata a organização internacional.

“Três quartos da humanidade vivem em países que são importadores líquidos de combustíveis fósseis, dependentes de energia que não controlam, a preços que não conseguem prever”, afirmou António Guterres em fevereiro. O chefe da ONU alertou também para o risco de os orçamentos para o desenvolvimento serem “desviados para as contas de combustível, à mercê constante da turbulência geopolítica e das interrupções no abastecimento”. O responsável insistiu: “Temos de deixar de tratar a transição para longe dos combustíveis fósseis como um tabu”.

Renováveis são menos suscetíveis a choques externos

A organização defende uma adaptação energética com base nas renováveis por estas serem frequentemente produzidas a nível local, internamente e, por isso, menos vulneráveis à agitação externa que as crises geopolíticas podem desencadear.

Também Simon Stiell, responsável pela área climática da ONU, salientou no início de 2026, que “as energias renováveis são o caminho mais claro e mais barato para a segurança e soberania energéticas, protegendo países e economias dos choques desencadeados por guerras, turbulências comerciais e pela política do ‘o poder faz a razão’, que empobrece todas as nações”.

A organização dá três exemplos de economias que viram os seus mercados energéticos alterados por fontes mais limpas. O Quénia tornou-se um líder global em energia renovável, particularmente em energia geotérmica, já com maioria da sua eletricidade a provir de fontes renováveis. O Chile é um dos mercados de energia renovável que mais cresce no mundo. Afastou-se da geração de energia a carvão ao expandir a energia solar e eólica, tirando partido das condições naturais encontradas no Deserto de Atacama. A Índia também se tem concentrado na expansão das infraestruturas solares e eólicas, embora ainda dependa fortemente do petróleo e do gás, que são normalmente fornecidos através do estreito de Ormuz.

Além da ONU, também já a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) defendeu que a solução perante a atual crise passa pela promoção das energias renováveis e da eficiência energética. “O aumento da produção de energia renovável e a eficiência energética podem reforçar a segurança económica e a resiliência a futuros choques de preços”, defendeu o secretário-geral. Mathias Cormann, dizia que “quaisquer medidas políticas adotadas para mitigar o impacto do choque energético devem ser direcionadas para os mais necessitados, temporárias, e garantir que se mantêm os incentivos para poupar energia”.

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