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Porto de Setúbal prepara transformação da Mitrena com plano de desenvolvimento de 990 mil euros

Consultoria multidisciplinar vai apresentar uma proposta para o desenvolvimento do atual estaleiro. A iniciativa surge num momento de transformação das áreas portuárias e industriais, com foco na sua modernização e transição energética.

23 Jul 2026 - 06:17

3 min leitura

Foto: APSS

Foto: APSS

A Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) lançou um concurso público para contratar uma consultoria multidisciplinar destinada a preparar o plano de desenvolvimento da área de domínio público onde funciona atualmente o Estaleiro da Mitrena, em Setúbal.

O procedimento, consultado pelo Jornal PT Green, tem um preço base de 990 mil euros e prevê a elaboração de um plano e de uma proposta de desenvolvimento para aquela área portuária.

A consultoria deverá apoiar a APSS na definição da estratégia de valorização do espaço, através de uma abordagem multidisciplinar na área das infraestruturas e do planeamento do desenvolvimento da zona.

O contrato terá um prazo de execução de nove meses e não inclui, nesta fase, a realização de obras ou a concretização de projetos específicos, mas apenas a preparação dos estudos e propostas para o futuro aproveitamento da área, estando, portanto, em aberto que tipo de reaproveitamento aquela zona terá.

A adjudicação será feita com base numa avaliação que combina o fator preço, com uma ponderação de 60%, e a qualidade técnica da proposta, com 40%, segundo o anúncio.

Portos em renovação

O investimento surge numa altura em que os portos estão no centro da agenda da transição energética, pela necessidade de reduzir emissões associadas ao transporte marítimo e às atividades logísticas.

A Estratégia Europeia para os Portos, apresentada em março passado, coloca os portos como infraestruturas estratégicas para a competitividade, segurança energética e transição climática. O comissário europeu dos Transportes Sustentáveis e Turismo, Apostolos Tzitzikostas, afirmou na altura que o objetivo é “dotar os portos, o transporte marítimo e os setores da construção naval europeus das ferramentas necessárias para liderarem a transição para as energias limpas, garantirem a segurança do comércio e da defesa e manterem a competitividade global”.

Algumas transformações já começam a ocorrer. Por exemplo, um dos maiores portos da Dinamarca, o Porto de Skagen, está a mudar para fontes de energia mais limpas. O porto está a substituir geradores a diesel por eletricidade totalmente fornecida em terra, destinada ao processo intensivo de descarga de grandes embarcações.

Por cá, o Porto de Lisboa propõe sistema de carregamento elétrico para navios para reduzir poluição no Tejo. Um projeto da Administração do Porto de Lisboa (APL) prevê um sistema de alimentação elétrica que permite aos navios desligarem os motores durante a estadia no porto, reduzindo assim as emissões poluentes no estuário do Tejo.

A APL lançou também a Environmental Port Index, uma plataforma digital concebida para monitorizar o desempenho ambiental das operações portuárias, reforçando a aposta na sustentabilidade.

 

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