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Portugal entre países da UE mais vulneráveis aos riscos climáticos com previsões catastróficas na agricultura e incêndios

Estudo revela que UE precisa de investir 70 mil ME anuais para adaptação climática até 2050. Expostas lacunas no financiamento e falhas na integração de riscos climáticos no planeamento orçamental dos Estados-membros.

24 Jan 2026 - 10:19

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Foto: Freepik

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Portugal surge entre os países mais vulneráveis aos riscos climáticos, com previsões catastróficas na agricultura e críticas nos incêndios, e com necessidades de investimento que excedem a média europeia, segundo um estudo encomendado pela Direção-Geral da Ação Climática e financiado pelo programa Horizonte Europa.

O risco para a população e edifícios devido a incêndios florestais foi classificado como crítico, apenas um patamar abaixo da classificação catastrófica atribuída à Croácia, Grécia, Espanha, Itália e Malta. Dezanove Estados-membros identificaram este risco, mas o Sul da Europa, onde Portugal se insere, é uma região particularmente afetada pela severidade dos fogos.

No setor alimentar, a situação é ainda mais alarmante. Portugal classifica o risco para a produção agrícola como catastrófico, ao lado da Croácia, Grécia, Itália, Malta e Eslovénia. Os riscos para a agricultura e produção de culturas são amplamente reportados como críticos ou substanciais no Sul e Centro da Europa, onde a seca e as temperaturas extremas ameaçam as colheitas. O stress térmico para a saúde humana constitui igualmente preocupação de nível elevado em Portugal, Malta, Espanha, Áustria e Hungria.

Em termos de esforço financeiro relativo, Portugal situa-se acima da média da UE, com necessidades de investimento que excedem o patamar médio europeu. Os maiores encargos proporcionais encontram-se na Estónia e Letónia, onde as necessidades ultrapassam 1,2% do PIB, sendo que Portugal, Finlândia e Grécia também registam valores superiores à média. As maiores economias europeias apresentam os valores absolutos mais elevados, mas encargos relativos mais moderados, situando-se entre 0,2 e 0,5% do PIB.

UE tem de mobilizar 70 mil ME

No conjunto, a análise indica que a União Europeia, os Estados-membros e o setor privado terão de mobilizar aproximadamente 70 mil milhões de euros por ano até 2050 para financiar medidas de adaptação às alterações climáticas.

A estimativa total apresentada para o bloco comunitário, que visa reduzir a exposição a riscos climáticos crescentes e fortalecer a resiliência europeia, distribui-se por três eixos: 30 mil milhões para infraestruturas, 21 mil milhões para ecossistemas e 12 mil milhões para segurança alimentar.

O documento, apresentado como o primeiro a utilizar uma metodologia comum para calcular necessidades de investimento tanto a nível europeu como por Estado-membro, fundamenta-se nos grupos de riscos identificados na Avaliação Europeia dos Riscos Climáticos de 2024 e nas medidas de adaptação propostas pelos diferentes países. A análise evidencia que França, Itália, Alemanha e Espanha registam as maiores necessidades absolutas de investimento, em função não apenas da sua dimensão geográfica e económica, mas também das especificidades dos riscos climáticos que enfrentam.

Os riscos para infraestruturas e edifícios são mencionados de forma consistente em todos os níveis de gravidade, expondo a vulnerabilidade deste setor a cheias, tempestades, ondas de calor e subida do nível do mar. O estudo conclui ainda que a pressão sobre os sistemas de saúde está ligada à interrupção dos serviços de emergência devido a fenómenos extremos, ao aumento da procura de cuidados e à necessidade de investimento acrescido nos serviços, incluindo manutenção e custos de funcionamento.

A metodologia do estudo estruturou-se em quatro etapas: identificação dos riscos climáticos com base na avaliação europeia e nos planos nacionais de adaptação; mapeamento de medidas de adaptação para esses riscos; recolha de dados de custos para medidas selecionadas; e dimensionamento desses custos às características de cada Estado-membro. Toda a documentação metodológica foi publicada simultaneamente para garantir transparência e replicabilidade.

O estudo não se limita a quantificar necessidades. Diagnostica que o financiamento atual é insuficiente, os dados sobre custos de adaptação são inadequados e os riscos climáticos permanecem mal integrados no planeamento orçamental nacional. Entre as recomendações, propõe-se a avaliação das necessidades sob diferentes cenários climáticos e a análise das relações custo-benefício das medidas propostas.

A publicação surge num momento estratégico, quando a Comissão Europeia prepara um novo quadro integrado para a resiliência climática e gestão de riscos na Europa, destinado a apoiar os Estados-membros na prevenção e preparação face aos impactos crescentes das alterações climáticas. 

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