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Portugal vê avanços climáticos contrastarem com falhas na reciclagem e na prevenção de incêndios
País reduziu emissões e atingiu recorde de energia renovável em 2024, mas voltou a falhar na reciclagem e viu a área ardida disparar. Relatório do INE revela ainda que impostos ambientais subiram quase 9%.
19 Dez 2025 - 12:45
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Foto: Freepik
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Portugal registou em 2024 avanços pontuais na transição ambiental, mas mantém obstáculos estruturais que comprometem objetivos estratégicos, num ano em que a economia cresceu e a população aumentou 1%, o segundo maior acréscimo do século. Segundo o relatório sobre o Estado do Ambiente, divulgado nesta sexta-feira pelo Instituo Nacional de Estatística (INE), ainda persistem lacunas na reciclagem, gestão de resíduos e na prevenção de incêndios, além de uma queda do setor industrial no que toca a investimento verde.
No capítulo dos resíduos, os dados expõem fragilidades críticas. A recolha de resíduos urbanos aumentou 3,4%, para 5,52 milhões de toneladas, enquanto a produção de resíduos setoriais cresceu 4,9%, atingindo 15,7 milhões de toneladas. A taxa de preparação para reutilização e reciclagem subiu para 37%, revertendo dois anos de queda, mas permanece 18 pontos percentuais abaixo da meta de 55% fixada para 2025, objetivo que se afigura inatingível.
A eletricidade de origem renovável atingiu um máximo de 86,2%, contribuindo para reduzir a dependência energética para 64,3% e as emissões de gases com efeito de estufa em 4,4%. Contudo, o país viveu o terceiro ano mais quente da década e o oitavo mais seco, com temperatura média de 16,5°C, 0,9°C acima da normal climatológica, e precipitação correspondente a 95% dos valores habituais.
Apesar do número de incêndios rurais ter sido o mais baixo desde 2016, com 6.255 ocorrências, a área ardida disparou para 137,7 mil hectares, a quarta maior da última década. A qualidade do ar manteve-se maioritariamente boa, em 46% dos dias, ou muito boa, em 31,5%. Das 673 águas balneares monitorizadas, 556 receberam classificação “Excelente”, menos 19 que em 2023.
O consumo interno de materiais recuou 5%, mas o investimento ambiental das empresas industriais caiu 11,1%, apesar de 19,3% destas entidades desenvolverem atividades de proteção e gestão ambiental. Os custos operacionais subiram na mesma proporção.
Os impostos ambientais atingiram 5,9 mil milhões de euros, mais 8,7% que em 2023, impulsionados sobretudo pelo Imposto sobre Produtos Petrolíferos, que representou 77% desse aumento devido ao descongelamento da taxa de carbono. A capacidade fotovoltaica cresceu 45,6%, para 5677 MW, e os veículos elétricos aumentaram 49,4%, embora representem apenas 2,7% do parque automóvel.
A despesa pública em proteção ambiental caiu para 1.610 milhões de euros, menos 164 milhões que no ano anterior, num exercício que evidencia progressos energéticos significativos, mas expõe falhas na gestão de resíduos e na prevenção de incêndios, sectores onde as metas continuam por cumprir.
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