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Presidente da ForestWise salienta papel “agregador” da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais
O gestor, numa audição da Comissão Parlamentar de Inquérito aos Negócios dos Incêndios Rurais, acrescentou que o laboratório colaborativo ForestWise "dentro do que lhe foi possível" também contribuiu para a evolução do AGIF.
02 Jul 2026 - 09:21
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Foto: Freepik
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O presidente da ForestWise – Laboratório Colaborativo para a Gestão Integrada da Floresta e do Fogo considerou nesta quarta-feira, no parlamento, como “muito positivo” o trabalho da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, pelo papel “agregador” no setor.
“O impacto da AGIF foi muito positivo a todos os níveis, pelo seu aspeto agregador em todo o setor, pelo aspeto de transparência e monitorização das políticas e dos resultados, por ter posto indicadores de controlo e isso antes, de facto, não existia, ou não existia de forma tão profissional e tão organizada”, afirmou Nuno Calado.
O gestor, numa audição da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aos Negócios dos Incêndios Rurais, acrescentou que “o ForestWise dentro do que lhe foi possível também contribuiu para alguma dessa evolução positiva” com alguns estudos e “resultados que pouco a pouco vão ser introduzidos”.
A função do ForestWise, explicou, consiste em “fazer recomendações técnicas com base científica”, que “não são opiniões, são factos”, e a atividade centra-se em “recursos humanos altamente qualificados”, que com “base na ciência e no conhecimento” avaliam e propõem “essas recomendações”.
“Umas já foram adotadas, outras não. Obviamente há aqui um processo normal, evolutivo, isso é normal dentro do que são as alterações a qualquer coisa”, considerou.
Questionado sobre que recomendações foram concretizadas, Nuno Calado respondeu com a avaliação aos “sapadores florestais, por exemplo”, na sequência das quais o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) promoveu “alterações ao programa”, a par de “estudos e de recomendações mesmo para a AGIF”, também adotadas.
Em relação às políticas de gestão dos incêndios, o responsável da ForestWise admitiu que, como concluiu uma Comissão Técnica Independente (CTI), “havia um desequilíbrio grande”, mas nos últimos anos tem vindo a ser “feito um esforço para haver um maior equilíbrio entre prevenção e combate”.
Entre os projetos em desenvolvimento, na área da prevenção, destacou um sistema da Redes Energéticas Nacionais (REN) de câmaras de deteção nos postes de alta tensão, que com base em informação em tempo real permite fazer “modelos preditivos” do “trajeto mais provável” desse incêndio, antecipando os meios de combate.
No âmbito das respostas a questões de deputados do PSD, Chega, PS e IL, Calado assegurou não ter conhecimento de interesses económicos ou atividades lesivas do interesse público no setor em resultado dos incêndios.
E questionado como geria “potenciais conflitos de interesse” por ser responsável de regulação florestal e sustentabilidade da Sonae e presidente do ForestWise, respondeu que “da mesma forma como são geridos” em “qualquer associação empresarial”, e de acordo com a “ética de cada um”.
A Sonae, prosseguiu, participa como qualquer outra empresa em consórcios, e não entra noutros, e também pode “fazer aquisição de serviços ao ForestWise” de projetos específicos “como qualquer associado” do laboratório colaborativo.
Quanto a dúvidas sobre a avaliação do financiamento público ao ForestWise, Nuno Calado referiu que os projetos são devidamente examinados e que, em termos de financiamento, os laboratórios colaborativos (CoLab) “desejariam era que tivesse havido aqui um mecanismo de transição”, evitando a “redução de pessoal”, além disso altamente qualificado.
Em relação ao impacto socioeconómico dos CoLab em Portugal, apontou um estudo da Porto Business School, concluindo que, em 2025, “geraram 74 milhões de euros de VAB [Valor Acrescentado Bruto], 2.168 empregos, criaram 51,8 milhões de euros em remunerações e produziram 26 milhões de euros em receita fiscal”.
“Entre [20]21 e 25, cada euro de financiamento público esteve associado a 2,27 euros de VAB gerado na economia e cerca de 81% do financiamento público recebido, em relação ao Estado, sob a forma de receita fiscal direta, indireta e induzida”, referiu ainda, rematando: “Portanto, estamos a falar de um custo para o Estado de 19% do financiamento público, ao qual temos que somar tudo o que é a capacitação e a transferência e integração de conhecimento”.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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