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Áreas da Rede Natura 2000 são menos afetadas por incêndios do que o restante território nacional
Entre 2021 e 2025, ardeu cerca de 6,1% da área fora das ZEC, face a apenas 2,9% dentro destas áreas. WWF Portugal sublinha a importância da conservação da natureza e da gestão das áreas protegidas.
24 Jun 2026 - 12:15
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As Zonas Especiais de Conservação (ZEC) da Rede Natura 2000, dedicadas à conservação da natureza em Portugal continental, têm registado uma menor proporção de área ardida do que o resto do território, mostra uma análise da WWF Portugal, publicada nesta quarta-feira.
A área ardida das ZEC é cerca de duas vezes inferior à observada no restante território continental, de acordo com o relatório. Entre 2021 e 2025, ardeu cerca de 6,1% da área fora das ZEC, face a apenas 2,9% dentro destas áreas.
Ainda que ocorram com menos frequência, as áreas protegidas também não estão imunes aos incêndios. Segundo os dados da WWF Portugal, cerca de um quarto da área ardida no período em análise ocorreu no interior destas zonas.
“Os resultados mostram que a conservação da natureza não é incompatível com a prevenção de incêndios. Pelo contrário, as áreas classificadas analisadas registaram uma incidência proporcionalmente menor de área ardida do que o restante território”, afirma Catarina Grilo, diretora de Conservação e Políticas da WWF Portugal.
O estudo conclui ainda que os incêndios não afetam somente áreas florestais, mas sobretudo territórios dominados por matos e formações arbustivas. Para a associação, este tipo de vegetação “desempenha um papel ecológico relevante, mas continua a não ser tido em conta na gestão do território”.
Além disso, o relatório alerta que os incêndios em Portugal continuam frequentemente associados à ação humana, com fogos intencionais a assumirem “um peso dominante”, tanto dentro como fora das áreas protegidas.
“Apesar de uma parte significativa da área ardida ocorrer fora destas áreas de conservação (cerca de 77%), este valor reflete sobretudo a maior dimensão do território não classificado. Quando se analisa a proporção de área afetada, as ZEC apresentam um contexto mais favorável, o que reforça a importância de analisar os incêndios de forma proporcional à área disponível, como se verifica noutros trabalhos”, reforça Catarina Grilo.
A gestão estratégica das áreas de matos e dos mosaicos agroflorestais, a consideração da distribuição dos habitats nas medidas de prevenção e uma maior incorporação do conhecimento científico nas políticas públicas são algumas das principais recomendações deixadas pela WWF Portugal.
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