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Empresa da Águas de Portugal vai executar Estratégia “Água Que Une”

Governo aprova formalmente a estratégia nacional para reforçar a segurança hídrica e modernizar a gestão da água e cria o regime jurídico para a sua execução pela AdP AQUA.

24 Jun 2026 - 11:15

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Foto: Adobe Stock/Marc Andreu

Foto: Adobe Stock/Marc Andreu

O Governo aprovou o regime jurídico da AdP AQUA – Gestão Ambiental de Recursos Hídricos, atribuindo à empresa do grupo Águas de Portugal a responsabilidade pela gestão, coordenação e execução da Estratégia “Água Que Une”, destinada a reforçar a segurança hídrica e a adaptação às alterações climáticas.

Num decreto-lei, publicado nesta quarta-feira em Diário da República, fica estabelecido que a AdP AQUA passa a ser responsável também pelo desenvolvimento de ações estruturantes em matéria de segurança hídrica, resiliência climática, transição energética, uso da água para consumo humano, agrícola e industrial e desenvolvimento territorial sustentável.

“Atendendo ao impacto das alterações climáticas no aumento da frequência e intensidade de fenómenos extremos, designadamente situações de escassez hídrica ou de cheias, impõe-se reforçar a gestão planeada e eficiente da água destinada ao consumo humano, à agricultura, à indústria e ao turismo, assegurando uma articulação equilibrada e consensualizada entre os diversos usos”, justifica o Governo no documento, acrescentando que o objetivo é “evoluir de um modelo de gestão assente predominantemente em situações de contingência para um modelo orientado para a resiliência, baseado no planeamento e na previsibilidade. Para esse efeito, revela-se essencial dotar o sistema de instrumentos que permitam uma ação ágil e célere”.

A entidade fica assim com competências para construir, financiar, gerir e explorar as infraestruturas abrangidas pela estratégia, incluindo empreendimentos hidráulicos, hidroagrícolas e de fins múltiplos, bem como infraestruturas de resiliência climática e projetos-piloto de gestão integrada dos recursos hídricos.

A empresa será também responsável pela manutenção e conservação destas infraestruturas e poderá ainda requerer a declaração de utilidade pública e promover os processos de expropriação necessários à concretização da estratégia.

Neste mesmo dia, é aprovada formalmente a Estratégia Nacional “Água Que Une”, criada para responder aos desafios crescentes associados às alterações climáticas, nomeadamente a redução da disponibilidade hídrica, a intensificação das secas e o aumento de fenómenos extremos como cheias e inundações.

Estratégia com três eixos

A decisão, formalizada numa resolução do Conselho de Ministros publicada também em Diário da República, indica que o documento resulta de uma “ampla discussão e participação pública”, estabelecendo três eixos de atuação (eficiência, resiliência e inteligência). Estes três eixos servem de orientação para a execução de nove programas estruturantes.

Quanto a investimentos, no eixo da eficiência, foram identificadas 111 medidas, com investimento de cerca de 1814 milhões de euros até 2035, que irão permitir diminuir as ineficiências hídricas em 328 hm3 de água, aumentar a segurança hídrica em mais 310 hm3 e disponibilizar mais 122 hm3 de água residual tratada.

No eixo da resiliência, estão consideradas 139 medidas, com investimento de cerca de 3836 milhões de euros até 2035, que irão permitir aumentar a segurança hídrica em mais 437 hm3 e disponibilizar mais 966 hm3 de água para usos consumptivos.

Já no eixo da inteligência, são propostas 44 medidas, com investimento estimado até 2035 de 238 milhões de euros, destacando-se o reforço da Autoridade Nacional da Água enquanto regulador ambiental, e da Autoridade Nacional do Regadio, em meios tecnológicos e recursos humanos; um Programa de Ação para Digitalização Integral do Ciclo da Água, que promove o reforço das tecnologias e metodologias para o conhecimento em tempo real do estado das massas de água superficiais e subterrâneas e dos consumos e utilizações dos recursos hídricos; e a revisão da Lei da Água e dos diplomas complementares.

O documento indica ainda alguns dados sobre a realidade nacional, nomeadamente que, em Portugal continental, existem perto de 13 600 barragens e açudes, das quais 260 são grandes barragens.  As perdas de água nos grandes aproveitamentos hidroagrícolas públicos situam-se, em média, nos 25%. A água não faturada no abastecimento urbano é, em média, de 27,1% (sistemas em baixa) e de 5% (sistemas em alta).

Refere também que apenas 1,2% de água residual é reutilizada para fins compatíveis como regas e lavagens, “apesar dos esforços desenvolvidos nos últimos anos para acelerar a sua utilização”.

O Governo indica também que a primeira estação de dessalinização de água do mar para abastecimento público de água em Portugal continental, a construir no concelho de Albufeira, deverá estar concluída entre final de 2027 e início de 2028, permitindo produzir 16 hm3/ano de água potável, com potencial de expansão até 24 hm3/ano.

 

 

 

 

 

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