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Produção de eletricidade em Portugal emitiu mais um milhão de toneladas de CO2 em 2025
Estagnação das renováveis e aumento do consumo obrigaram a maior recurso ao gás natural fóssil. ZERO alerta que eletrificação sem expansão de renováveis compromete metas climáticas nacionais.
09 Jan 2026 - 11:35
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O sector elétrico português inverteu em 2025 a tendência de redução de emissões que se verificava nos últimos anos, com um acréscimo estimado de cerca de um milhão de toneladas de CO₂ face a 2024, segundo dados divulgados pela ZERO. A associação indica que o aumento resulta de um desequilíbrio entre o crescimento do consumo de eletricidade e a estagnação da produção renovável, que obrigou a um recurso intensificado às centrais a gás natural.
Portugal registou em 2025 um máximo histórico no consumo de eletricidade, com 53,1 TWh, mais 3,2% do que no ano anterior. Mas a produção renovável, apesar de ter atingido um recorde de 37 TWh, cresceu de forma “praticamente residual”, nas palavras da ZERO. A percentagem de eletricidade renovável no consumo baixou de 70% em 2024 para 68% em 2025, interrompendo anos consecutivos de progressos na integração de fontes limpas.
A consequência direta foi o aumento de 54% na produção elétrica a partir de gás natural fóssil, que totalizou 7,9 TWh em 2025. A ZERO sublinha que este salto evidencia “a vulnerabilidade do sistema elétrico nacional sempre que as renováveis não conseguem responder ao crescimento da procura ou a situações excecionais”.
O apagão de 28 de abril terá agravado este cenário. Após o incidente, por razões de segurança de abastecimento e receio quanto à importação de energia de Espanha, verificou-se um aumento significativo da produção a partir de combustíveis fósseis.
Entraves administrativos e económicos atrasam solar
A associação ambientalista identifica dois obstáculos principais ao crescimento das renováveis. Do ponto de vista administrativo, considera “absolutamente decisivo que a Avaliação Ambiental Estratégica das Áreas de Aceleração de Renováveis, que está em curso, seja concluída com sucesso”, definindo zonas de baixo risco de conflito ambiental e social para instalação de projetos.
Em termos económicos, a ZERO aponta que existe um volume significativo de projetos licenciados que não arrancam porque “a remuneração da produção fotovoltaica é […] demasiado baixa”. Neste contexto, a associação defende como “absolutamente decisiva uma estratégia nacional para o armazenamento de energia elétrica”, que garanta o cumprimento dos objetivos do Plano Nacional Energia e Clima (PNEC) de instalar 2 GW de baterias.
Eletrificação insuficiente sem renováveis
O crescimento do consumo elétrico reflete tendências de eletrificação da economia que a ZERO considera positivas, mas insuficientes. Portugal ultrapassou as 200 mil viaturas elétricas em circulação e registou quedas no consumo de gás natural fóssil, butano e propano nos setores industrial, residencial e de serviços, com descidas de 6,9%, 9,4% e 4%, respetivamente, até novembro de 2025.
Contudo, a associação alerta que “a eletrificação só contribui plenamente para a descarbonização se for acompanhada por uma expansão muito mais rápida da produção renovável de eletricidade, das infraestruturas de rede, dos mecanismos de flexibilidade e dos sistemas de armazenamento de energia, além de melhorias sensíveis na gestão da procura”.
Caso contrário, acredita a ZERO, o aumento da procura de eletricidade continuará a ser parcialmente satisfeito pelo aumento do consumo de gás fóssil nas centrais termoelétricas de ciclo combinado, comprometendo os objetivos climáticos nacionais.
A associação sublinha ainda a necessidade urgente de acelerar as interligações elétricas com Espanha, “fundamentais para integrar maiores volumes de renováveis” e “reduzir o recurso a combustíveis fósseis”.
“Não basta eletrificar a economia”, conclui a associação. “É indispensável acelerar a instalação de energias renováveis, reforçar as redes elétricas, interligações ibéricas e planear o sistema elétrico de forma integrada, garantindo que o crescimento do consumo elétrico não se traduz em mais emissões e num retrocesso no caminho para a neutralidade climática”.
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