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Quando o clima se transforma em risco financeiro real no mercado imobiliário português

Com impacto direto no património das famílias e na estabilidade da banca, o clima está, de facto, a reconfigurar o panorama do crédito e do imobiliário em Portugal. Por Rui Lopes, CEO da Simplefy.

23 Mar 2026 - 07:29

4 min leitura

Rui Lopes, CEO da Simplefy

Rui Lopes, CEO da Simplefy

A passagem das tempestades por Portugal no início de 2026 não foi um evento isolado, foi um estrondoso lembrete de que os fenómenos climáticos extremos deixaram de ser meras previsões longínquas para se tornarem um fator de risco financeiro tangível. Com impacto direto no património das famílias e na estabilidade da banca, o clima está, de facto, a reconfigurar o panorama do crédito e do imobiliário em Portugal.

Os danos causados pelos fenómenos naturais voltam a colocar em cima da mesa uma questão crucial: até que ponto o mercado imobiliário e o setor dos seguros em Portugal estão preparados para este novo paradigma de risco?

O risco climático começa a integrar a avaliação de crédito, influenciando spreads, condições de financiamento e valorização dos imóveis. Não é uma questão de “ser perito climático”, mas sim de incluir informação sobre estes riscos reais quando no centro do nosso negócio estão os clientes. Torna-se ainda mais importante salientar estas sensibilidades quando o imobiliário se encontra em zonas propícias a inundações ou incêndios. A prova é que, já em 2024, 15% dos pedidos de crédito em zonas costeiras enfrentavam restrições adicionais, de acordo com a Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal. Este cenário era ainda corroborado pela Autoridade Bancária Europeia, que indicava que 82% das instituições financeiras europeias já utilizavam ferramentas de análise de risco climático.

A sustentabilidade já não é apenas uma palavra que está na moda, é uma exigência. O crédito verde, que incentiva a compra de imóveis energeticamente eficientes, representa já mais de 20% da produção anual de empréstimos em algumas das maiores instituições financeiras em Portugal. Esta tendência reflete uma procura crescente por soluções que reduzam os custos de manutenção a longo prazo, contribuindo para a sustentabilidade financeira das famílias.

Em Portugal, esta urgência é redobrada pela vulnerabilidade geográfica. A Agência Portuguesa do Ambiente revelou que existem 63 zonas de risco significativo de inundações (fluviais e costeiras), mais de 100 mil pessoas a viver em áreas de risco de cheias e mais de 26 540 edifícios suscetíveis a inundações, o impacto financeiro das alterações climáticas é inegável.

No entanto, a população portuguesa ainda não está totalmente preparada para esta realidade. Segundo o Inquérito à Literacia Financeira 2024 do Banco de Portugal e CMVM, menos de metade dos portugueses compreendem plenamente conceitos financeiros básicos e menos de 30% consideram o impacto de riscos ambientais nas decisões de compra de casa. Esta lacuna na literacia financeira expõe as famílias a riscos significativos, pois a maioria dos consumidores não está apto a integrar variáveis climáticas e financeiras nas decisões imobiliárias.

É aqui que a sustentabilidade financeira ganha um novo significado. Escolher imóveis e financiamentos que mantenham os custos controlados ao longo do tempo, reduzir riscos associados a eventos climáticos e à desvalorização do imóvel, e beneficiar de condições de crédito através de opções energeticamente eficientes. A capacidade de interpretar contextos complexos, gerir riscos e orientar decisões de longo alcance é mais importante do que nunca e é neste contexto que os intermediários de crédito se transformam em consultores especializados e qualificados do sistema financeiro para as famílias.  O verdadeiro teste reside em garantir que o sonho da casa não se transforma numa prisão financeira, protegendo o orçamento familiar face aos imprevistos do clima e do mercado. A qualidade do aconselhamento, a rastreabilidade e a prudência são os pilares de um futuro financeiro mais seguro para Portugal.

 

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