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O mercado de trabalho já não é dos early adopters da sustentabilidade
Os early adopters continuam a ter uma vantagem competitiva, mas o mercado de trabalho da sustentabilidade é hoje composto por outro tipo de perfil. Por Gabriela Maciel, project manager da Green Gen Escola de Sustentabilidade
16 Mar 2026 - 07:40
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Gabriela Maciel, project manager da Green Gen Escola de Sustentabilidade
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Gabriela Maciel, project manager da Green Gen Escola de Sustentabilidade
Diz-nos a sabedoria popular que “where there’s a will, there’s a way”, mas arriscar-me-ia a dizer que, atualmente, “where there’s an upskill, there’s a way”.
Em 2025 e pela primeira vez, o maior impulsionador das contratações em sustentabilidade foi o recrutamento de profissionais com competências verdes para funções que tradicionalmente não pertenciam a esta área, ao invés do recrutamento para cargos específicos de sustentabilidade, como se observava até então. Os dados do Green Skills Report do Linkedin (2025) revelam, por isso, uma clara inversão da tendência e a constatação de que a procura por competências verdes está a expandir-se além das equipas de sustentabilidade, revelando e afirmando o seu caráter transversal em múltiplos departamentos.
Do ponto de vista corporativo, o Beyond Checking the Box Report da IBM (2024) já antecipava esta tendência ao apontar três caminhos possíveis para a integração da sustentabilidade nas organizações: (1) foco no compliance, (2) sustentabilidade como um projeto ou (3) sustentabilidade incorporada. O mesmo relatório avança que apenas um gera verdadeiro valor de negócio.
Estamos a assistir no mercado de trabalho de sustentabilidade aquilo que também identificamos na Curva de Adoção da Inovação (Everett Rogers) ou nos Segmentos de Mercado em Sustentabilidade (Kotler). Neste último, Kotler demonstra que os consumidores podem segmentar-se em quatro fases de adoção: (1) trendsetter, (2) value-seeker, (3) standard-matcher e (4) cautious-buyer. Fazendo o paralelismo com o mercado de trabalho, inicialmente tínhamos os (1) trendsetters ou early adopters e, portanto, os profissionais que cedo abraçaram funções de sustentabilidade; atualmente, observamos a entrada de (2) profissionais que veem no trabalho em sustentabilidade benefícios associados (financeiros ou emocionais) e ainda (3) profissionais que estão a entrar porque veem o mercado e outros profissionais a dirigir-se nessa direção e sentem segurança em fazê-lo.
Fazendo novamente o paralelismo com o mercado de consumo, tal significa que conseguimos passar do nicho para as massas ou, em linguagem corporativa, que conseguimos que um projeto após a sua implementação se tornasse business-as-usual. Tanto em marketing como em gestão de projetos, em ambos os casos consideramos um sucesso.
Não só dentro das organizações, como nas diferentes áreas de atividade, começamos a assistir ao brotar de novas lentes para exercer uma profissão: a arquitetura expande-se para a arquitetura sustentável, o jornalismo assume novas formas com o jornalismo climático, o direito ganha uma nova responsabilidade com o direito do ambiente, o marketing reinventa-se para defender um consumo responsável, a nutrição abre caminho com a sazonalidade nos guias alimentares, a psicologia renova-se na ecopsicologia e na gestão da ecoansiedade. A formação de base cresce com o upskilling.
A sustentabilidade já não é apenas comunicação, mas a sua integração em todos os departamentos. A sustentabilidade já não é um conjunto de funções tradicionais, mas um convite à criatividade e à inovação de todas as profissões.
Se queremos que a sustentabilidade seja uma causa de todos, temos de permitir que a sustentabilidade deixe de ser só uma causa dos ambientalistas ou dos early adopters. Como diz o manifesto da Lisboa Capital Verde Europeia 2020, “precisamos dos indiferentes, já não dá para salvar o mundo sem eles”.
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