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Lançamento massivo de satélites está a poluir a atmosfera superior com fuligem

Fuligem, ou carbono negro, com origem nos satélites permanece muito mais tempo na atmosfera superior do que a proveniente de fontes terrestres. Poderá chegar a representar 42% do impacto climático total do setor espacial até 2029.

17 Mai 2026 - 10:57

3 min leitura

Foto: NASA via Unsplash

Foto: NASA via Unsplash

Os satélites das “megaconstelações”, lançados em massa para o espaço desde 2019, estão a contribuir para a poluição da atmosfera superior. Isto acontece devido à fuligem que libertam, que poderá chegar a representar 42% do impacto climático total do setor espacial, adiantou uma análise publicada na revista Earth’s Future.

Os autores da investigação, da University College London, explicam que a fuligem, ou carbono negro, com origem nos satélites permanece muito mais tempo na atmosfera superior do que a proveniente de fontes terrestres. A diferença é um impacto 500 vezes maior sobre o clima, constatam os especialistas.

A equipa de investigadores analisou tanto a poluição atmosférica causada pelo número crescente de lançamentos, como pelos corpos de foguetões descartados e pelos satélites inutilizáveis que voltam a cair na Terra. A análise mostra que, em 2020, estas “megaconstelações” contribuíram com cerca de 35 % para o impacto climático total do setor espacial e que este valor deverá aumentar para 42 % já em 2029.

Os especialistas revelam que também está a acumular-se rapidamente na atmosfera superior a poluição gerada pelo lançamento e reentrada de grandes sistemas de satélites descartáveis, o que reduz a quantidade de luz solar na superfície terrestre.

No entanto, uma das autoras, Eloise Marais, salienta: “Atualmente, o impacto destes poluentes na atmosfera é relativamente pequeno, pelo que ainda temos a oportunidade de agir a tempo, antes que se torne um problema mais grave e difícil de reverter ou reparar”.

Ainda assim, os investigadores alertam que as suas estimativas poderão estar abaixo da realidade, uma vez que o período utilizado como base da análise (entre 2020 e 2022) teve menos lançamentos do que os verificados nos anos seguintes (2023 e 2025) e do que aqueles que se antecipam para o futuro.

A Starlink, sistema desenvolvido pela SpaceX, do multimilionário Elon Musk, é atualmente a “megaconstelação” mais conhecida, contando já com quase 12 mil satélites em órbita. Mas outras empresas concorrentes também colocaram em órbita centenas de satélites. Os investigadores destacam que as projeções anteriores, que apontavam para o lançamento de mais 65 mil satélites até ao final da década, já estão desatualizadas.

O forte investimento do setor na criação de novas constelações e na expansão das existentes fez com que o número anual de lançamentos de foguetões quase triplicasse, aumentando de 114 em 2020 para 329 em 2025. Grande parte destes lançamentos é realizada pelos foguetões Falcon 9 da SpaceX, que recorrem a combustível derivado de querosene e libertam partículas de fuligem nas camadas superiores da atmosfera.

Ao contrário da fuligem produzida por fontes terrestres, como automóveis ou centrais elétricas, que é removida pela chuva, estas partículas podem permanecer na atmosfera durante vários anos. Segundo os autores, a fuligem emitida pelos lançamentos espaciais tem um impacto climático cerca de 540 vezes superior ao da fuligem libertada perto da superfície terrestre. Além disso, libertam substâncias químicas, como o cloro, que podem contribuir para a degradação da camada de ozono, alertam os investigadores.

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