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Mundial 2026 arrisca ser o mais quente de sempre, com jogos em condições inseguras para atletas e adeptos

World Weather Attribution conclui que alterações climáticas provocadas pela atividade humana aumentaram significativamente o risco de calor extremo durante o Mundial de 2026, nos EUA, Canadá e México. Investigadores alertam para jogos disputados acima dos limites considerados seguros e defendem medidas de adaptação.

14 Mai 2026 - 11:09

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Foto: Unsplash

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O Mundial 2026, que decorrerá entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México, poderá ficar marcado não apenas pela dimensão inédita da competição, mas também pelo calor extremo. Segundo uma análise do consórcio científico World Weather Attribution (WWA), o torneio será disputado em condições de stress térmico significativamente mais perigosas do que as registadas no Mundial de 1994, também realizado nos EUA.

O estudo conclui que o aumento das temperaturas e da humidade associado às alterações climáticas tornou muito mais provável a ocorrência de jogos em níveis considerados perigosos para a saúde humana. A preocupação centra-se sobretudo em cidades do sul e do interior dos EUA, bem como em várias regiões mexicanas, onde as temperaturas poderão ultrapassar frequentemente os 30 graus Celcius nos jogos disputados durante o dia.

Os investigadores utilizam o índice WBGT (Wet Bulb Globe Temperature), que combina temperatura, humidade, radiação solar e vento para medir o impacto real do calor no corpo humano. As recomendações do sindicato internacional de jogadores – FIFPRO – indicam que, quando o WBGT passa dos 26 graus, devem existir pausas obrigatórias para arrefecimento. Acima dos 28 graus, o sindicato considera que as partidas não deveriam realizar-se.

Apesar disso, os regulamentos atuais da Federação Internacional de Futebol (FIFA) apenas preveem o adiamento de jogos quando o WBGT ultrapassa os 32 graus, um limiar que os autores do estudo consideram demasiado elevado face aos riscos conhecidos.

De acordo com a análise estatística baseada em observações meteorológicas, espera-se que 26 jogos do Mundial deste ano decorram acima dos 26 graus WBGT. Nove dessas partidas terão lugar em estádios sem sistemas de refrigeração. No Mundial de 1994, estimam os investigadores, teriam existido 21 jogos nestas condições e apenas seis em recintos sem arrefecimento.

A diferença torna-se ainda mais evidente nos cenários considerados “inseguros” pela FIFPRO. O estudo prevê cinco jogos acima dos 28 graus WBGT em 2026, contra apenas três no torneio realizado há 32 anos. Para níveis ainda mais extremos, acima dos 30 graus WBGT, o risco continua relativamente raro, mas quase duplicou desde 1994.

Os autores denotam que o perigo não desaparece nos jogos disputados ao final da tarde ou à noite. Um exemplo citado é o encontro entre Países Baixos e Tunísia, na cidade do Kansas, marcado para as 18h locais, que terá uma probabilidade de 7% de ultrapassar o limiar dos 28 graus WBGT.

A investigação conclui que o agravamento destas condições pode ser às alterações climáticas induzidas pela atividade humana. A combinação de dados observacionais com modelos climáticos mostra tendências semelhantes e aponta para um aumento consistente da frequência e intensidade dos episódios de calor húmido extremo desde 1994.

Os cientistas alertam ainda para os riscos fora dos estádios. Mesmo em recintos climatizados, milhões de adeptos continuarão expostos ao calor durante deslocações, concentrações públicas, festas e transmissões ao ar livre. Em cidades como Miami, Filadélfia ou Kansas, o aumento da probabilidade de calor excessivo é particularmente acentuado em estádios abertos.

O estudo traça também um cenário preocupante para o futuro. Num mundo 2 graus mais quente do que na era pré-industrial (cerca de 0,7 graus acima da temperatura média atual), os modelos climáticos apontam para um agravamento adicional das condições de calor extremo durante grandes competições desportivas de Verão.

“Sem medidas de adaptação substanciais, tais como o acesso generalizado a ar condicionado e infraestruturas de refrigeração, a realização de jogos de futebol durante o Verão do hemisfério norte tornar-se-á cada vez mais perigosa, tanto para os jogadores como para os espectadores”, escrevem os autores.

Para os investigadores, garantir a segurança de jogadores e adeptos dependerá não só da adaptação dos torneios à subida de calor, mas também da redução rápida das emissões por combustíveis fósseis.

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