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Ondas de calor e incêndios marcam 2025 em Portugal no contexto europeu de alterações climáticas
País enfrentou três grandes ondas de calor, incêndios florestais recorde e inundações significativas, num ano em que a Europa registou temperaturas acima da média em 95% do seu território e perdeu grandes quantidades de gelo e neve.
29 Abr 2026 - 15:33
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Foto: Freepik
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Portugal viveu em 2025 um ano de contrastes climáticos extremos, alinhando-se com tendências que afetam toda a Europa, o continente que mais rapidamente está a aquecer no planeta. Pelo menos 95% do território europeu registou temperaturas anuais acima da média histórica, com ondas de calor recorde desde o Mediterrâneo até ao Ártico. Ondas de calor intensas, incêndios florestais de grande escala e episódios de chuva persistente e inundações foram apenas alguns dos sinais de um clima em transformação.
Segundo o relatório Copernicus “Estado do Clima na Europa 2025″, elaborado pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) e pela Organização Meteorológica Mundial (WMO), quase toda a Europa registou temperaturas anuais acima da média, enquanto a cobertura de gelo e neve diminuiu significativamente, e os oceanos europeus bateram recordes de aquecimento. Em Portugal, estes fenómenos traduziram-se em três ondas de calor no verão, incêndios florestais históricos e episódios de cheias associadas a tempestades como a Claudia, em novembro.
Durante junho e julho, Portugal foi atingido por duas ondas de calor consecutivas, seguidas de uma terceira no final de julho e início de agosto. Estas temperaturas extremas coincidiram com condições muito secas em algumas regiões, ao alimentar incêndios florestais de grandes dimensões. No final de agosto, o país contabilizava cerca de 265 mil hectares ardidos (quase quatro vezes a média do período entre 2006 e 2024). Os fogos na Península Ibérica representaram 65% da área total queimada na Europa.
O relatório destaca, contudo, que Portugal contrasta com o noroeste europeu em termos de humidade. A primavera e março, em particular, registaram precipitação 229% acima da média, com cheias e níveis elevados de caudais nos rios Tejo e Guadiana. Já a insolação no país ficou abaixo da média europeia, refletindo uma cobertura de nuvens mais persistente do que o habitual.
Além dos impactos diretos sobre as pessoas, estes fenómenos extremos afetam a biodiversidade e os ecossistemas, com incêndios em turfeiras e ondas de calor marítimas a colocar sob pressão habitats sensíveis. As alterações climáticas continuam a exigir respostas rápidas: “Ao enfrentarmos o impacto na perda de biodiversidade, precisamos de acompanhar o ritmo da adaptação que está a ocorrer na transição para as energias limpas e, ao mesmo tempo, garantir que a ciência sólida continue a sustentar as nossas políticas e decisões”, elencou Samantha Burgess, do ECMWF.
O relatório do ECMWF e da WMO reforça que, embora Portugal tenha enfrentado efeitos locais extremos, estes refletem uma realidade europeia mais ampla, com temperaturas recorde, perda de gelo e neve nos Alpes e na Islândia, ondas de calor marinhas em 86% da região oceânica europeia e eventos extremos de chuva e vento que impactaram milhares de pessoas em todo o continente.
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