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Importações de combustíveis custam à UE mais 27 mil milhões de euros em 60 dias de conflito
Presidente da Comissão Europeia alerta para impacto imediato do conflito no Médio Oriente nos custos energéticos da União e defende aceleração da transição para fontes limpas para travar dependência externa.
29 Abr 2026 - 12:27
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Ursula Von der Leyen | Foto: Comissão Europeia
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Ursula Von der Leyen | Foto: Comissão Europeia
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a mais recente escalada de tensão no Médio Oriente já está a ter um impacto direto e significativo na economia europeia, sobretudo através do aumento dos custos com importações de combustíveis fósseis. Num discurso perante o Parlamento Europeu, von der Leyen destacou que, em apenas dois meses de conflito, “a nossa fatura de importações de combustíveis fósseis aumentou mais de 27 mil milhões de euros, sem uma única molécula adicional de energia”.
A líder do executivo comunitário encaixou este aumento como parte de uma segunda grande crise energética em menos de quatro anos, ao frisar: “Num mundo turbulento como o nosso, simplesmente não podemos estar excessivamente dependentes de energia importada”. A instabilidade geopolítica no Golfo Pérsico tem ameaçado rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, essencial para o transporte global de petróleo e gás.
Von der Leyen defendeu que a resposta europeia deve passar por uma redução acelerada dessa dependência, com investimento reforçado em energias renováveis e nuclear. “O caminho a seguir é óbvio, temos de reduzir a nossa dependência excessiva dos combustíveis fósseis importados e aumentar o nosso abastecimento de energia limpa, produzida internamente e a preços acessíveis”.
A presidente da Comissão apontou também para desigualdades dentro da própria União. Países com maior peso de fontes de baixo carbono no seu mix energético, como a Suécia, estão mais protegidos contra choques de preços. Como explicou, um aumento de um euro no preço do gás traduz-se num acréscimo de apenas 0,04 euros por megawatt-hora na eletricidade sueca, devido à predominância de fontes renováveis e nuclear.
Para mitigar os efeitos imediatos da crise, Bruxelas propõe maior coordenação entre Estados-membros, nomeadamente na compra conjunta de gás e na gestão de reservas estratégicas de combustíveis como o diesel e o ‘jet fuel’. A presidente admite querer evitar a repetição de erros anteriores, quando a concorrência interna entre países contribuiu para a subida dos preços.
Ao mesmo tempo, von der Leyen alertou para a necessidade de apoios mais direcionados. Durante a última crise energética, mais de 350 mil milhões de euros foram gastos em medidas generalizadas, das quais apenas um quarto beneficiou diretamente os consumidores e empresas mais vulneráveis. “Não cometamos o mesmo erro outra vez e concentremos o nosso apoio onde é mais importante”, advertiu.
A grande aposta, contudo, está na eletrificação da economia europeia. Apesar dos progressos recentes, a eletricidade representa ainda menos de um quarto do consumo final de energia na União. Para a Comissão, este valor terá de aumentar significativamente, num esforço que combina eficiência energética, digitalização e reforço das infraestruturas. “Este é o momento de eletrificar a Europa”, concluiu von der Leyen.
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