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Produção de energia fóssil entra em declínio nos países da OCDE
Relatório da Ember indica que o crescimento recorde das energias renováveis permitiu travar o aumento da produção fóssil em 2025. Solar e eólica já estão a substituir o carvão e o gás.
28 Abr 2026 - 15:18
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A produção de eletricidade a partir de combustíveis fósseis nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) entrou num declínio estrutural e duradouro, depois de ter atingido um pico há mais de uma década, avança um novo relatório da think-tank Ember. A expansão acelerada da energia solar e eólica está a permitir substituir o carvão e o gás, ao mesmo tempo que responde ao crescimento da procura elétrica.
De acordo com o “Global Electricity Review”, a produção fóssil nos países da OCDE estava em 2025 cerca de 19% abaixo do seu pico, registado em 2007. Nesse período, a quota dos combustíveis fósseis no cabaz elétrico caiu de 63% para 48%, contribuindo para uma redução de 28% nas emissões do setor elétrico.
O crescimento das renováveis foi suficiente para compensar tanto a quebra na produção fóssil como o aumento da procura. A geração solar e eólica aumentou em mais de 2.100 terawatts-hora desde 2007, cobrindo integralmente a descida da produção fóssil e a subida do consumo de eletricidade.
O ano de 2025 foi também o primeiro, desde 2020, em que a produção de eletricidade a partir de combustíveis fósseis não aumentou, tendo até registado uma ligeira queda de 0,2%. É apenas a quinta vez neste século que isto acontece, segundo a Ember.
Pela primeira vez, todos os países da OCDE estão abaixo do seu pico de produção fóssil. A maioria atingiu esse máximo até 2019, à exceção de países como a Turquia (2021) e a Colômbia (2024). Entre os membros, a Islândia e a Costa Rica operam já sistemas elétricos com “emissões zero”, enquanto outros mantêm uma presença residual de combustíveis fósseis. Ainda assim, há um grupo de seis países onde mais de 60% da eletricidade continua a depender destas fontes: Israel (83%), México (74%), Polónia (68%), Japão (67%), Austrália (61%) e Coreia do Sul (60%).
Fora da OCDE, a tendência começa também a inverter-se. Em 2025, a produção fóssil caiu pela primeira vez neste século (excluindo o ano atípico de 2020), com reduções registadas na China e na Índia. No caso chinês, a descida foi impulsionada pela rápida expansão da energia solar, enquanto a Índia tem vindo a aumentar a produção limpa sem repetir a trajetória intensiva em carvão das economias industrializadas.
O relatório é divulgado enquanto vários líderes mundiais e especialistas em energia se reúnem em Santa Marta, na Colômbia, para discutir estratégias de transição energética. Para a Ember, a experiência da OCDE é prova de que a substituição dos combustíveis fósseis por renováveis não só reduz emissões como diminui a exposição à volatilidade dos mercados internacionais e aos riscos geopolíticos.
Segundo Wilmar Suárez, analista da organização para a América Latina, a redução da dependência de combustíveis fósseis é hoje também uma questão de segurança energética. “Com a energia solar e eólica a tornarem-se cada vez mais competitivas em termos de custos, estas oferecem um duplo benefício: um mix energético mais limpo e uma maior proteção contra choques de abastecimento externos”, defende e reitera que “esta oportunidade é ainda mais acentuada para as economias emergentes”.
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