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Países mais “limpos” poupam milhares de milhões na fatura elétrica apesar da volatilidade do gás
Novo estudo do CREA conclui que os países europeus com maior peso de energias renováveis, como Portugal, Suécia ou França, estão hoje mais protegidos dos choques do gás e poderão poupar milhares de milhões de euros em 2026, mesmo numa altura de tensão geopolítica e subida de preços.
27 Abr 2026 - 15:45
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A escalada militar no Médio Oriente, iniciada a 28 de fevereiro com ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irão, voltou a expor a fragilidade energética europeia. Em apenas dois dias, o preço do gás no mercado holandês TTF disparou 68%, atingindo máximos de dois anos. Ainda assim, a União Europeia (UE) enfrenta esta nova turbulência em melhor posição do que na crise energética de 2022.
Segundo um último estudo do Centro de Investigação sobre Energia e Ar Limpo (CREA, na sigla inglesa) a diferença está, sobretudo, na crescente integração de energias renováveis. Com base nos padrões de consumo e produção elétrica do ano passado, a UE poderá poupar 5,8 mil milhões de euros em 2026 apenas por substituir gás por fontes limpas.
A dependência do gás continua a influenciar os preços da eletricidade, mas cada vez menos. Em 2025, um aumento de 1 euro por megawatt-hora no preço do gás traduziu-se numa subida de 0,37 euros na eletricidade, menos 8% do que em 2022.
As maiores poupanças concentram-se nos países com maior incorporação de energia limpa. Dinamarca, Finlândia, França, Suécia e Eslováquia poderão poupar até 8,5 mil milhões de euros nas faturas energéticas este ano, mais 58% do que os países com maior dependência de combustíveis fósseis.
Renováveis como escudo económico
A Suécia já incorpora 99% da eletricidade proveniente de fontes renováveis, e é também o país menos sensível às flutuações do gás, segundo os dados do CREA. Por cada subida de 1 euro no gás, os preços grossistas da eletricidade aumentam apenas 0,04 euros por megawatt-hora (MWh). Mesmo com níveis de armazenamento de gás abaixo da média europeia, o impacto no sistema elétrico é residual.
Portugal e Espanha surgem entre os casos de maior progresso recente. No mercado ibérico de eletricidade (MIBEL), a produção de energia limpa cresceu 21% desde 2022, impulsionada sobretudo pela energia solar, que aumentou 74% e já representa cerca de um quinto da eletricidade produzida, valor semelhante ao do gás.
Esta transformação teve efeitos diretos na estabilidade dos preços. A sensibilidade conjunta de Portugal e Espanha ao gás caiu 53%, sendo agora uma das mais baixas da União Europeia. Em 2025, cada aumento de 1 euro no gás resultou numa subida de apenas 0,089 euros por MWh na eletricidade.
Também França conseguiu reduzir significativamente a sua exposição. O aumento da produção limpa, aliado ao peso da energia nuclear, que define o preço marginal no mercado doméstico, permitiu cortar para metade a sensibilidade aos preços do gás desde 2022.
O contraste é evidente em países onde o gás continua a desempenhar um papel central. Apesar de aumentos significativos na produção renovável, casos como os Países Baixos ou a Polónia mostram que a transição incompleta cria barreiras.
Nos Países Baixos, o gás permanece a principal fonte de eletricidade, o que mantém elevada a exposição aos preços internacionais. Já na Polónia, a substituição do carvão por gás levou a um aumento de 132% na produção elétrica a partir deste combustível desde 2022, elevando também a vulnerabilidade a choques de preços.
O CREA sumariza, então, que “a capacidade da energia limpa para reduzir a sensibilidade é máxima quando esta detém a maior quota na produção de eletricidade e constitui uma parte significativa da carga de base, substituindo assim o gás como o fator determinante dos preços no mercado”.
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