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Moçambique aposta em biocombustíveis para reduzir impacto da volatilidade dos combustíveis fósseis
Governo defende que produção local de biocombustíveis pode reforçar a segurança energética, reduzir dependência de importações e ajudar a mitigar choques dos preços internacionais.
12 Jun 2026 - 12:07
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Foto: Magnific
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O ministro dos Recursos Minerais moçambicano defendeu nesta sexta-feira que os biocombustíveis podem contribuir para amortecer a volatilidade dos preços internacionais dos combustíveis fósseis, reiterando que aquele combustível ecológico deve ser visto como parte da diversificação da matriz energética nacional.
“Os biocombustíveis podem contribuir para amortecer a volatilidade dos preços de combustíveis fósseis ao nível internacional, sobretudo quando forem produzidos localmente, na escala competitiva e com a integração efetiva nas cadeias nacionais de abastecimento”, disse o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, em Maputo, na abertura do Seminário Nacional de Biocombustíveis.
O governante reconheceu que o evento decorre num contexto marcado pela volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis no mercado internacional – num momento em que se enfrenta uma crise energética associada ao conflito no Médio oriente -, destacando ainda a pressão sobre as cadeias globais de abastecimento, as oscilações cambiais e a necessidade crescente do país em reforçar a sua segurança energética.
“Moçambique, sendo ainda um país importador de combustíveis líquidos, conhece os impactos deste cenário na economia e, em última instância, sobre a vida das famílias. Por isso, falar de biocombustíveis hoje não é apenas falar de energia limpa, é falar de soberania energética, industrialização, agricultura, emprego, preservação do meio ambiente, poupança de divisas e de resiliência económica”, explicou.
Segundo Estêvão Pale, apesar da instabilidade desse mercado, Moçambique possui condições naturais, agrícolas e logísticas que o coloca numa posição favorável para desenvolver uma cadeia nacional de biocombustíveis.
Reconhecendo que os biocombustíveis não substituirão de imediato os combustíveis fósseis, o governante assinalou que a sua incorporação gradual pode gerar impactos reais, reiterando que “cada percentagem de etanol misturada na gasolina e cada percentagem de biodiesel no dísel representa menor volume de combustível fóssil importado”, reduzindo a pressão sobre as divisas e promovendo maior valorização da produção nacional, bem como mais previsibilidade para o mercado.
“Os biocombustíveis devem ser vistos como parte de uma estratégia mais ampla de diversificação da matriz energética nacional. A substituição parcial de combustíveis fósseis por combustíveis limpos e renováveis pode contribuir para a redução de emissões no setor de transportes e para alinhamento de Moçambique com agendas internacionais de transição energética”, disse.
Destacando que a produção dos biocombustíveis dependem também de fatores naturais, económicos e logísticos, o ministro manifestou a certeza de que, quanto maior for a capacidade nacional de produzir parte da energia que consome, menor será a exposição do país aos choques externos, estando, por isso, a ser elaborado um plano de ação para a implementação de um projeto-piloto de produção e mistura de biocombustíveis em produtos petrolíferos, com o envolvimento de todos os setores intervenientes na cadeia de valor de biocombustíveis.
Felisbela Cunhete, diretora da Direção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis (DNHC), recordou na ocasião que o país começou a olhar para os biocombustíveis em 2008, na sequência da primeira crise dos combustíveis provocada pelo choque do mercado internacional. Nessa altura, explicou, foi também iniciado o processo de elaboração do quadro regulatório necessário para o desenvolvimento do sector.
Segundo a responsável, com o passar do tempo, o impulso inicial acabou por abrandar e o exercício ficou parcialmente adormecido, sendo retomada alguns anos depois, com o renovado interesse estratégico nos biocombustíveis.
Assinalou que a presença dos principais intervenientes da cadeia de biocombustíveis no Seminário de Biocombustíveis permite avançar com bases práticas para a produção nacional, com vista a reduzir a dependência de combustíveis importados.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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