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Galp prevê fechar acordo de fusão com a Moeve no quarto trimestre do ano

Segundo Maria João Carioca, as equipas precisam de mais tempo para concluir as várias análises necessárias à operação, incluindo avaliações financeiras e jurídicas e a revisão dos contratos das empresas envolvidas.

27 Jul 2026 - 18:15

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Foto: LinkedIn da Galp

Foto: LinkedIn da Galp

A Galp admite que a conclusão das negociações com os acionistas da Moeve para combinar os negócios de refinação e comercialização das duas empresas ocorra no quarto trimestre, embora pretenda fechar a operação “quanto antes”.

“Se quisermos gerir expectativas, a probabilidade do quarto trimestre é maior do que ainda conseguirmos no terceiro trimestre”, afirmou a co-presidente executiva da Galp, Maria João Carioca, numa conversa telefónica com a Lusa no âmbito dos resultados do primeiro semestre, tendo registado um aumento de 44% do lucro, para 812 milhões de euros, face ao período homólogo.

A responsável sublinhou, contudo, que a empresa pretende concluir os trabalhos o mais rapidamente possível.

“Conseguirmos terminar e termos mais certezas e visibilidade sobre os termos do negócio quanto antes, é obviamente o ideal”, afirmou, ressalvando que a análise da operação tem de ser feita com detalhe.

A responsável garantiu que a revisão do calendário da operação – cuja conclusão foi inicialmente apontada para o primeiro semestre e, mais recentemente, para a segunda metade deste ano – não resulta de qualquer dificuldade específica relacionada com a avaliação dos ativos, com a refinaria de Sines ou com divergências entre as partes.

“Não existe nenhum motivo que não seja a dimensão e a complexidade do negócio”, afirmou, acrescentando que o diálogo se mantém “muitíssimo alinhado” e “muitíssimo produtivo”.

Segundo Maria João Carioca, as equipas precisam de mais tempo para concluir as várias análises necessárias à operação, incluindo avaliações financeiras e jurídicas e a revisão dos contratos das empresas envolvidas.

A co-CEO salientou que a operação abrange atividades e ativos em várias regiões, desde negócios petroquímicos na América do Norte até operações na América Latina e em África.

As negociações têm por base um acordo não vinculativo entre a Galp e a Moeve que tem como acionistas a Mubadala Investment Company, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, e o fundo norte-americano The Carlyle Group.

O projeto prevê a junção dos portefólios de refinação, petroquímica e comercialização de combustíveis das duas empresas na Península Ibérica, incluindo a refinaria da Galp em Sines e as unidades da Moeve em Huelva e Cádis, em Espanha.

No início de julho, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirmou, no parlamento, que o Governo estava a estudar instrumentos legais para garantir que a refinaria de Sines permanece em Portugal e mantém a capacidade de abastecer prioritariamente o país em situações de crise.

A governante indicou que o executivo estava a analisar as possibilidades jurídicas de intervenção, tendo em conta que os acionistas da Moeve são de fora da União Europeia e que o Estado português detém uma participação de 8,24% na Galp.

A ministra referiu também o fundo soberano anunciado pelo Governo, destinado a investir em setores estratégicos, como um instrumento que poderá ser considerado, embora tenha sublinhado que não é o elemento central na análise da operação.

Questionada pela Lusa sobre a eventual integração da participação da Parpública na Galp nesse fundo, Maria João Carioca disse que a empresa não foi informada nem consultada sobre essa possibilidade.

Quando questionada sobre a existência de conversas com o Governo após o anúncio da criação do fundo soberano respondeu: “Não, que nós tenhamos conhecimento”.

A co-CEO escusou-se a comentar as intenções do Estado relativamente ao fundo, por considerar tratar-se de uma questão de política económica, mas salientou que a empresa mantém um diálogo aberto com o acionista público.

Maria João Carioca lembrou que a participação do Estado na Galp poderá, em determinado momento, voltar a ser colocada no mercado, embora não exista um calendário para que isso aconteça, e acrescentou que cabe ao Estado decidir a forma como gere a sua posição acionista.

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

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