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Procura por biocombustíveis a nível mundial pode aumentar 70% e agravar preços dos alimentos
A corrida às matérias-primas energéticas está a levar vários países a reforçar metas de biocombustíveis. Segundo a T&E, esta tendência pode agravar a escassez de fertilizantes e afetar a segurança alimentar global.
09 Jun 2026 - 06:07
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O consumo global de biocombustíveis poderá aumentar 30% até ao fim de 2026 e cerca de 70% até 2030, graças à atual corrida às matérias-primas para biocombustíveis, motivada pelos preços elevados do petróleo, mostra um novo estudo publicado pela organização Transportes e Energia (T&E).
Caso se verifique, este cenário pode exercer forte pressão sobre os preços mundiais dos alimentos, com os óleos vegetais a ultrapassar os valores máximos registados, tal como em 2022. Neste sentido, a T&E alerta os governos para “não trocarem uma crise energética por uma crise alimentar”.
Os preços da maioria das matérias-primas alimentares, em especial os óleos vegetais, aumentaram durante os últimos três meses consecutivos, repetindo o padrão observado após a invasão russa da Ucrânia em 2022.
Desde o ataque dos EUA e de Israel ao Irão e a consequente subida dos preços do petróleo, países como os Estados Unidos, a Indonésia e a Tailândia anteciparam novas metas de mistura de biocombustíveis, enquanto exportadores como o Brasil e a Indonésia restringem a exportação de culturas essenciais para estes combustíveis, de acordo com o relatório da T&E.
A diretora de energia e clima da T&E, Kädi Ristkok, afirma em comunicado que “os governos estão a jogar um jogo perigoso ao promover alimentos para criar combustível”.
Além disso, acrescentou que, embora os líderes procurem soluções para a atual crise do petróleo, os biocombustíveis só podem ter um papel marginal no sistema energético, pelo que devem defender a eletrificação “como alternativa mais sustentável”.
Segundo o estudo, a produção agrícola no futuro poderá vir a ser limitada pela escassez de fertilizantes, colocando em risco as reservas globais de alimentos. Os biocombustíveis consomem cerca de 5% dos fertilizantes mundiais, para produzir apenas 4% dos combustíveis rodoviários globais. Qualquer aumento agravaria ainda mais a pressão no mercado, que já está a ser afetado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.
A situação é particularmente crítica em alguns países, como a Indonésia que dedica cerca de um quinto dos seus fertilizantes aos biocombustíveis, de acordo com o relatório da T&E. Os principais produtores mundiais dependem ainda da Rússia, China e Médio Oriente para mais de metade das importações de fertilizantes.
“O aumento da produção de biocombustíveis sem competir com culturas alimentares é considerado difícil”, lê-se no comunicado da T&E. Segundo o relatório, se estes combustíveis representassem 20% do consumo global rodoviário, seria necessário utilizar mais 130 milhões de hectares de terra, o que implicaria perda de ecossistemas e desflorestação, com emissões superiores às dos combustíveis fósseis.
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