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O Ruanda e a economia verde
Num passo inovador, o Ruanda está agora a preparar a integração transversal da Taxonomia Verde no sistema de ensino, desde o ensino superior à formação técnica e cursos profissionais certificados. Por Sofia Santos, CEO da Systemic
18 Mar 2026 - 07:38
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Sofia Santos, CEO da Systemic
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Sofia Santos, CEO da Systemic
O Ruanda tem vindo a posicionar‑se como um dos países africanos mais avançados na construção de um enquadramento robusto para o financiamento sustentável. Com a aprovação da Taxonomia Verde pelo Governo em abril de 2025, o país estabeleceu um sistema de classificação claro para investimentos sustentáveis, alinhado com padrões internacionais e com as prioridades definidas pela Estratégia Nacional de Transformação e pela Visão 2050, que projeta uma economia neutra em carbono e resiliente ao clima.
A Taxonomia Verde define critérios técnicos para setores como energia, agricultura, construção e transportes, facilitando a identificação de projetos alinhados com objetivos de mitigação e adaptação climática. Este enquadramento pretende aumentar a transparência, reduzir o risco de greenwashing e orientar capital público e privado para atividades compatíveis com metas de sustentabilidade. O Ministério das Finanças destaca que este instrumento é central para mobilizar o investimento necessário para cumprir os compromissos climáticos do país, estimados em 11 mil milhões de dólares até 2030.
De forma complementar ao seu desenvolvimento regulatório, o Ruanda tem vindo a reforçar o seu ecossistema de financiamento sustentável através do Kigali International Financial Centre e do Rwanda Green Fund. A adoção de standards claros permite ao país acelerar a aprovação de iniciativas verdes, melhorar a qualidade dos pipelines de projetos e fomentar a confiança de investidores internacionais e instituições financeiras multilaterais.
Num passo inovador, o Ruanda está agora a preparar a integração transversal da Taxonomia Verde no sistema de ensino – desde o ensino superior à formação técnica e cursos profissionais certificados. Embora esta ambição ainda esteja em fase de desenvolvimento, decorre da lógica de que a transição verde exige competências especializadas que permitam aos futuros profissionais aplicar, avaliar e desenvolver projetos alinhados com a Taxonomia. A integração nos currículos académicos permitirá criar perfis técnicos capazes de interpretar critérios de elegibilidade, medir benefícios ambientais e apoiar instituições financeiras e empresas na implementação de projetos verdes.
Esta abordagem educativa também reforça a Visão 2050, que estabelece uma agenda de transformação estrutural assente em inovação, digitalização e desenvolvimento sustentável. Ao introduzir a Taxonomia Verde no ensino, o Ruanda garante que as futuras gerações de engenheiros, gestores, analistas financeiros e técnicos de planeamento territorial compreendem os requisitos de sustentabilidade que moldarão a economia do país até meados do século.
A convergência entre educação, Taxonomia Verde e financiamento sustentável posiciona o Ruanda como um potencial hub regional de competências verdes. Esta integração prepara o país para atrair investimento internacional, desenvolver novas indústrias compatíveis com a transição climática e consolidar um sistema económico resiliente, alinhado com os objetivos de neutralidade carbónica definidos para 2050
Nós, na Europa, tendemos a pensar que a economia verde é apenas trabalhada por nós, muitas vezes sem plena consciência da velocidade com que outros países estão a avançar. Iniciativas como a Taxonomia Verde do Ruanda, articulada com metas de longo prazo e integrada em múltiplos instrumentos de política pública e financeira, mostram que a transição global está a acelerar em várias regiões do mundo. Esta realidade sublinha a necessidade de um olhar mais amplo e comparativo, capaz de valorizar abordagens inovadoras que emergem fora do contexto europeu e que podem oferecer referências relevantes para reforçar a ambição e a capacidade de implementação da economia verde a nível global.
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