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Quercus elege verão de calor histórico e recuo europeu nas políticas ambientais como piores factos de 2025
Associação ambientalista celebra embargo da Barragem do Pisão, mas alerta para desafios na gestão de resíduos em 2026 e para a pressão de lobbies sobre legislação comunitária.
30 Dez 2025 - 17:30
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Ao completar 40 anos de existência, a Quercus traça um balanço amargo do ano ambiental de 2025, marcado por temperaturas recorde, incêndios devastadores e o que a associação classifica como uma “erosão das políticas públicas coerentes com os desígnios ambientais para os quais foram delineadas, e a uma cedência às pressões dos lobbies”.
O verão mais quente dos últimos 94 anos, com 1,55°C acima da média e um pico de 46,6°C em Mora, distrito de Évora, resultou no quarto pior ano de área ardida em três décadas. Mais de 269 mil hectares foram consumidos pelo fogo até meados de outubro. A Quercus aponta o dedo às monoculturas florestais, em particular o eucalipto, cuja elevada combustibilidade expõe a vulnerabilidade do território.
Mas é na esfera política que a associação identifica os recuos mais preocupantes. A estratégia “Água que Une”, lançada em março, é acusada de privilegiar o regadio intensivo em detrimento do consumo humano, invertendo prioridades legais.
Na União Europeia, o ano ficou marcado por tentativas de desregulação. Mais de 80% das empresas ficaram isentas de novas obrigações de transparência ambiental, enquanto o pacote Omnibus “sacrifica a qualidade do ar, da água e da saúde pública em prol da competitividade”, realça a associação em comunicado.
Para a Quercus, o retrocesso culminou na COP30, onde o roteiro para eliminação gradual dos combustíveis fósseis, acordado na anterior cimeira, foi retirado do texto final, “contrariando as evidências científicas que demonstram uma situação de não retorno relativamente ao estado de emergência climática”.
No capítulo positivo, a associação destaca o embargo judicial da Barragem do Pisão, no Alto Alentejo, decretado em outubro por irregularidades na avaliação ambiental e danos irreversíveis no montado de sobro e azinheira. A mobilização contra megaprojetos fotovoltaicos – como as 12.693 participações na consulta pública da Central Solar de Sophia – demonstra, segundo a Quercus, que a sociedade civil rejeita uma transição energética à custa dos ecossistemas.
A associação elogia ainda a aprovação do programa “Floresta Azul – Restauro Ecológico das Pradarias Marinhas” para a proteção da biodiversidade, bem como do Mecanismo de Ação de Belém (BAM) para uma Transição Justa, acordado na COP30 a fim de colocar o âmbito social no centro da ação climática.
Expectativas para o próximo ano
Para 2026, a Quercus aponta a gestão de resíduos como o maior desafio de curto prazo. Com a taxa de reciclagem 18 pontos percentuais abaixo da meta de 55% e mais de metade dos resíduos ainda depositados em aterro, a associação aposta no Sistema de Depósito e Reembolso, previsto para abril, e na transposição da Diretiva do Direito à Reparação até julho.
A associação promete continuar a mobilizar a sociedade contra a desregulação dos pesticidas e dos novos OGM, dossiês onde Bruxelas cedeu, parcialmente, à pressão de cidadãos e ONG em dezembro. Aguarda também com expectativa a conferência de abril na Colômbia, fora do âmbito da ONU, para discutir a eliminação dos combustíveis fósseis, depois da exclusão do tópico na COP30.
A ratificação do Tratado do Alto Mar por mais de 60 países, que entra em vigor em janeiro de 2026, oferece uma nota de esperança num ano que a Quercus resume como de “cedência aos lobbies” e compromissos traídos.
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