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Rastos de condensação dos aviões potenciam aquecimento do planeta

Estudo europeu revela que 75% do aquecimento provocado por estes fenómenos concentra-se no inverno. Portugal, responsável pelo espaço aéreo de Santa Maria, pode ter papel decisivo na prevenção, considera ZERO.

20 Jan 2026 - 11:40

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Foto: Unsplash

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As linhas brancas que os aviões deixam no céu são mais do que um fenómeno visual. São rastos de condensação que representam o impacto climático não relacionado com CO₂ mais significativo da aviação e são responsáveis por entre 1% a 2% de todo o aquecimento global. Um novo estudo da Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E), divulgado nesta terça-feira pela ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, mostra que o problema é “altamente sazonal e concentrado no tempo”.

Os dados de 2019 revelam que 75% do aquecimento causado por rastos de condensação na Europa ocorreu em voos realizados entre janeiro e março e entre outubro e dezembro. Ainda, 40% desse aquecimento concentrou-se em voos ao final da tarde e à noite. Os voos noturnos no outono e inverno, apesar de representarem apenas 10% do tráfego aéreo, foram responsáveis por 25% do aquecimento total associado a este fenómeno.

Os rastos de condensação formam-se quando as aeronaves atravessam zonas de ar muito frio e húmido, criando nuvens artificiais que funcionam como um cobertor, retendo calor à superfície terrestre. Segundo o comunicado divulgado pela associação portuguesa, maioria destes rastos dissipa-se rapidamente, mas em determinadas condições podem persistir durante horas ou dias, espalhando-se pela atmosfera.

O estudo demonstra ainda que apenas 3% dos voos globais originaram 80% do aquecimento provocado por rastos de condensação, indicando que “a redução destes rastos de condensação e do aquecimento que causam pode ser facilmente alcançada ajustando as rotas de apenas alguns voos em horários específicos do dia e do ano”, segundo a ZERO. Consoante a investigação, evitar a formação de rastos quando os níveis de tráfego estão abaixo de 60% do pico anual poderia ter resolvido cerca de 70% do problema na Europa.

Atlântico Norte no centro da solução

O Atlântico Norte emerge como região prioritária para a prevenção destes fenómenos. O espaço aéreo é dominado por voos de longo curso, que por si só representaram 40% do aquecimento causado por rastos em 2019, apesar de corresponderem a apenas 10% das partidas europeias. No entanto, esta região tem baixa densidade de tráfego, o que pode facilitar ajustes operacionais.

As Regiões de Informação de Voo (RIV) do Atlântico Norte, incluindo Shanwick (Reino Unido e Irlanda), Gander (Canadá), Nova Iorque e Santa Maria (Portugal), destacam-se pela elevada formação de rastos com forte efeito no aquecimento climático, devido às condições oceânicas que favorecem o fenómeno.

Portugal, responsável pela RIV de Santa Maria, “pode ter um papel fundamental na prevenção” destes impactos, defende a ZERO, que apela ao Governo para apoiar medidas europeias e posicionar-se como Estado-membro pioneiro em ensaios de grande escala.

As soluções propostas passam por pequenas alterações de altitude ou desvios de rota para evitar zonas atmosféricas frias e húmidas, ajustes que podem ser planeados antecipadamente com base em previsões meteorológicas, reduzindo a carga de trabalho dos controladores aéreos.

A ZERO junta-se à T&E no apelo à União Europeia para que inclua os efeitos não relacionados com CO₂ na legislação sobre gestão do tráfego aéreo, mantenha a monitorização destes impactos em voos extra-Espaço Económico Europeu e incentive companhias aéreas e centros de controlo a evitar a formação de rastos de condensação.

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