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Renováveis batem recordes, mas planeta continua longe de cumprir metas climáticas

Capacidade global cresceu 582 GW e investimento atingiu 2,4 biliões de dólares, em 2024, porém ritmo ainda é insuficiente para triplicar as energias limpas até 2030, resume a IRENA no seu Panorama Global do Financiamento da Transição Energética 2025

01 Jan 2026 - 10:38

4 min leitura

Foto: IRENA

Foto: IRENA

O ano de 2024 ficou marcado por números históricos na expansão das energias renováveis. Foram adicionados 582 gigawatts (GW) de nova capacidade a nível global, elevando o total instalado para 4.443 GW, segundo um resumo de fim-de-ano divulgado pela Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA, na sigla inglesa), com dados do Panorama Global do Financiamento da Transição Energética 2025. O investimento na transição energética alcançou igualmente um máximo de 2,4 biliões de dólares, um crescimento de 20% face à média anual de 2022/23. Deste montante, cerca de um terço, 807 mil milhões de dólares, foi canalizado especificamente para tecnologias de energia renovável.

Contudo, o ritmo atual de crescimento permanece aquém do necessário para cumprir os compromissos internacionais assumidos na COP28. Para triplicar a capacidade renovável global e atingir os 11,2 terawatts (TW) até 2030, seria necessário adicionar 1.122 GW por ano a partir de 2025, praticamente o dobro do alcançado em 2024. Tal exigiria acelerar o crescimento anual para 16,6% ao longo da década.

A contradição é particularmente evidente quando se considera que o argumento económico a favor das renováveis nunca foi tão sólido: 91% dos novos projetos encomendados em 2024 revelaram ser mais rentáveis do que quaisquer alternativas baseadas em combustíveis fósseis. Esta competitividade económica não se tem, porém, traduzido na escala de implementação requerida, com vários especialistas a sublinhar que os obstáculos são tanto políticos e estruturais quanto financeiros.

G20 concentra mais de 80% da capacidade futura

As principais economias mundiais continuarão a dominar o panorama das renováveis. Segundo as projeções da IRENA, os países do G20 deverão representar mais de 80% da capacidade renovável global até 2030, com as economias desenvolvidas do G7 a aumentarem a sua quota para cerca de 20%. Esta concentração geográfica evidencia as disparidades que marcam a transição energética. Enquanto alguns países consolidam vantagens competitivas, segurança energética e empregos verdes, outros permanecem à margem da revolução renovável.

A África Subsariana ilustra esta divisão, ao concentrar 85% da população mundial sem acesso à eletricidade. Embora quase 92% da humanidade tenha hoje acesso básico a eletricidade (uma melhoria face a 2022, quando o número de excluídos diminuiu pela primeira vez em uma década), este acesso limita-se frequentemente à iluminação, sem garantir fornecimento confiável para usos produtivos na indústria ou agricultura. Adicionalmente, 1,5 mil milhões de pessoas em áreas rurais carecem de acesso a formas limpas de cozinhar, perpetuando impactos graves na saúde pública.

A distribuição desigual do investimento em renováveis não constitui apenas uma questão de eficiência económica, mas uma ameaça à equidade da transição energética global. Enquanto países e regiões que atraem capital substancial colhem benefícios em termos de segurança energética, industrialização, resiliência e emprego, vastas áreas do planeta permanecem privadas destas vantagens. Como sublinha a IRENA, “colmatar a divisão e colmatar o fosso de investimento entre países e regiões é fundamental para desbloquear capital e tecnologia onde são mais necessários”.

Digitalização e IA como potenciais catalisadores

A IRENA identifica a digitalização e a inteligência artificial (IA) como potenciais fatores de transformação na gestão de sistemas energéticos com elevada penetração de fontes variáveis. Estas tecnologias poderão otimizar desde a previsão de procura e preços até à flexibilidade da rede, gestão inteligente e manutenção preditiva de infraestruturas. A promessa é de custos mais baixos para consumidores finais, maior segurança energética e melhor desempenho operacional.

No entanto, os centros de dados que suportam a IA estão a impulsionar uma procura crescente de energia, introduzindo pressão adicional sobre redes já sobrecarregadas. A coordenação entre inovação digital e expansão da infraestrutura energética torna-se, assim, um imperativo estratégico. A questão que permanece para a Agência é se esta nova procura será satisfeita por renováveis ou se servirá de pretexto para prolongar a dependência de combustíveis fósseis.

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