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Setor têxtil português integra sustentabilidade como fator crítico de competitividade
Terceiro relatório de sustentabilidade do projeto be@t revela aumento de certificações, maior maturidade ESG e integração da sustentabilidade nos modelos de gestão.
22 Dez 2025 - 15:12
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A sustentabilidade ambiental está já integrada nos modelos de gestão de mais de 2.500 empresas do setor do têxtil e vestuário (STV), de acordo com o terceiro relatório de sustentabilidade desenvolvido no âmbito do projeto be@t – Bioeconomia no Têxtil e Vestuário, apoiado pelo Programa de Recuperação e Resiliência (PRR).
O relatório, divulgado pelo CITEVE, coordenador do consórcio de 60 entidades que executa o projeto, destaca um aumento de 13% no número de certificações ambientais emitidas, totalizando 2.526 certificações. Trata-se de uma amostra representativa do setor, o que indica que o número global de certificações “será bastante superior”, refere o CITEVE em comunicado.
“O que este terceiro relatório de sustentabilidade evidencia é claro: mais empresas a reportar, mais métricas, mais transparência, mais maturidade. Com mais empresas a participar neste exercício, tem-se um sinal de que o setor já não olha para a sustentabilidade como um instrumento ativo de posicionamento comercial, mas como infraestrutura crítica de competitividade”, destaca Braz Costa, diretor-geral do CITEVE.
No terceiro ano de reporte, participaram 105 empresas, o que representa um crescimento de 36% face ao primeiro relatório, abrangendo atualmente mais de 15.800 postos de trabalho.
Entre os principais progressos registados, destacam-se melhorias consistentes na eficiência energética. Apesar de um aumento de 6% no número de empresas que reportam o consumo total de combustíveis renováveis e não renováveis, verificou-se uma redução global de cerca de 6% nesse consumo.
A incorporação de materiais sustentáveis também evoluiu de forma positiva. Mais de 11% dos materiais utilizados pelas empresas já são reciclados, um aumento de 3%, enquanto cerca de 25% têm origem orgânica ou biológica, refletindo um crescimento de aproximadamente 4%.
No que toca à adesão a práticas de química segura, 68% das empresas reportam ter reduzido o consumo de produtos químicos, o que representa um aumento de 4% face a 2023. Verifica-se, igualmente, um maior número de empresas a reportar este indicador (90%).
Por outro lado, 79% das empresas desta amostra investiram na substituição de produtos químicos por outros menos nocivos, representando um aumento de 6% em relação a 2023. Paralelamente, a percentagem de empresas que reportam este indicador também subiu 8 pontos percentuais para 88%.
“Globalmente, a comparação com os relatórios anteriores, publicados em 2023 e 2024, permite concluir que o STV está a passar de forma consistente de um exercício de diagnóstico para um modelo de gestão estruturada da sustentabilidade enquanto fator de competitividade”, conclui o diretor-geral do CITEVE.
Estes progressos ocorreram num contexto económico desafiante. Em 2024, as exportações do STV atingiram 5.576 milhões de euros, uma redução de 3% face a 2023, refletindo a instabilidade geopolítica, a retração da procura internacional e as tensões nos mercados europeus. Ainda assim, os indicadores de sustentabilidade continuaram a evoluir positivamente, segundo o CITEVE, reforçando a transição verde como estratégia de resiliência industrial.
O relatório destaca ainda o papel crescente da bioeconomia como eixo estratégico para o futuro do setor, contribuindo para a redução de dependências externas, a valorização de recursos locais e o alinhamento da indústria portuguesa com as exigências das marcas globais e da regulação europeia.
O relatório foi desenvolvido com base nas normas da Global Reporting Initiative (GRI) e com alinhamento inicial com os European Sustainability Reporting Standards (ESRS).
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