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Stock de madeira na floresta nacional cai 10% desde 2015 devido a incêndios
Contas da Floresta do INE indicam que aproximadamente 67% da floresta nacional está disponível para o abastecimento de madeira. Floresta cobre cerca de 36% da área nacional.
22 Dez 2025 - 12:23
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As existências (stocks) de madeira na floresta nacional são estimadas em 169,98 milhões de m3 em 2023, tendo diminuído 10,0% comparativamente a 2015, em larga medida devido aos incêndios de 2017, refere o Instituto Nacional e Estatística (INE) nas Contas da Floresta, reveladas nesta segunda-feira.
“Este decréscimo pode ser explicado pelas remoções superiores ao crescimento líquido de madeira, no triénio 2017-2019, na sequência dos grandes incêndios de 2017”, refere o INE no documento. Com efeito, as contas indicam que, entre 2020- 2023, cerca de 87% do crescimento líquido de madeira em Portugal foi removido para a indústria, mas no período 2017-2019 as remoções ultrapassaram o crescimento líquido da madeira em aproximadamente 26%.
No cenário europeu, o INE indica que, em 2022, o rácio médio na União Europeia (UE) foi de 66%. Em 2023 o crescimento líquido da madeira representou 11,1% das existências iniciais de madeira na floresta.
Em 2023, Portugal tinha uma área estimada de 3,35 milhões de hectares (ha) de floresta, tendo aumentado 1,2% comparativamente a 2015. Aproximadamente 67% é floresta disponível para o abastecimento de madeira.
Em termos relativos, a floresta cobre cerca de 36% da área nacional. Na UE, em 2022, a área de floresta representava aproximadamente 39% do território.
O INE divulga, pela primeira vez, as Contas da Floresta (CF) para 2015-2023. Estas constituem uma das contas económicas europeias do ambiente e correspondem às contas de ativos dos recursos florestais, que incluem os terrenos arborizados e a madeira dos terrenos arborizados, assim como as contas da atividade económica relativas à silvicultura e à exploração florestal.
Produção de cortiça cresce e madeira para energia desce
A produção de cortiça voltou a crescer em 2023, após decréscimos consecutivos, em volume, desde 2018. Este resultado positivo deveu-se em parte, segundo o INE, à extração de cortiça que tinha ficado por realizar na campanha anterior. Além disso, os preços registaram uma valorização significativa (23,4%), elevando o valor nominal da produção para níveis próximos dos observados em 2018.
Quanto à madeira para energia, as contas mostram que, em 2023, a produção de pellets, briquetes e lenhas tradicionais registou um decréscimo de 7,2% em termos reais. Refletindo a procura crescente destes produtos, os preços aumentaram (+10,7%), o que, em conjunto com o decréscimo da produção em volume, determinou um crescimento nominal de 2,8%.
A produção da silvicultura e da exploração florestal cresceu 5,6%, em termos nominais, em 2023, atingindo o seu valor máximo na série em análise. “Este aumento refletiu fundamentalmente o acréscimo dos produtos não lenhosos silvestres, que correspondem essencialmente à remoção de cortiça e crescimento da cortiça na árvore, que moderaram o efeito dos decréscimos do crescimento líquido de madeira (-1,9%) e remoções de madeira (-3,1%)”, explica o INE. Em toda a série disponível, estes dois últimos produtos representam mais de metade da produção.
Em termos reais, o crescimento líquido da madeira, as remoções de madeira e os serviços característicos da silvicultura e da exploração florestal (que compreendem as plantações) foram determinantes na evolução negativa da produção (-1,4%), com decréscimos em volume de -4,1%, -5,2% e -9,3%, respetivamente. Os produtos não lenhosos silvestres (nos quais a cortiça tem peso significativo) cresceram 36,1%.
Relativamente ao Valor Acrescentado Bruto (VAB) da silvicultura e da exploração florestal, o INE indica que este atingiu 1 142 milhões de euros, traduzindo um crescimento nominal de 5,7% em relação ao ano anterior.
Comparativamente a outros Estados-membros da UE com dados disponíveis, em 2022, Portugal situava-se em 6º lugar em termos de peso relativo do VAB da silvicultura e da exploração florestal no VAB nacional (0,5%), superando países com características mediterrânicas como Itália (0,1%) ou França (0,2%). Os países com maior importância relativa da silvicultura e da exploração florestal na economia foram, neste ano, a Finlândia (1,9%), a Eslovénia (0,9%), e a Eslováquia (0,8%).
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