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Tecnovia certifica 14 produtos betuminosos e antecipa-se à regulação europeia que se avizinha
Empresa emite declarações ambientais verificadas por entidade terceira e antecipa obrigações do novo Regulamento dos Produtos da Construção, que entra progressivamente em vigor na EU.
12 Fev 2026 - 16:08
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Foto: Tecnovia
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Foto: Tecnovia
A Tecnovia, operadora portuguesa no segmento de misturas betuminosas e pavimentação rodoviária, concluiu a emissão de 14 Declarações Ambientais de Produto (DAP) para as suas gamas de betuminosos e agregados produzidos em cinco centros industriais do território continental, em Viseu, Rio Maior, Évora, Ourique e Albufeira. As declarações foram verificadas por entidade terceira e publicadas na plataforma EPD Hub, operada sob certificação da ECO Platform, o organismo europeu de referência neste domínio.
Em comunicado, a empresa salienta que esta iniciativa a posiciona como pioneira em Portugal na sistematização de informação ambiental verificada para este tipo de materiais, um segmento que, durante décadas, produziu toneladas de pavimento sem nunca ser confrontado com a questão do que isso custou ao ambiente, em termos mensuráveis.
O que são as DAP e porque é que importam agora
As Declarações Ambientais de Produto são documentos técnicos elaborados com base em estudos de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), seguindo a norma europeia EN 15804. Quantificam os impactes ambientais de um produto desde a extração de matérias-primas até ao fim de vida, passando pela produção e transporte. Os indicadores incluem emissões de gases com efeito de estufa, consumo energético e de recursos, bem como outros vetores de impacto.
O novo Regulamento dos Produtos da Construção, aprovado pelo Parlamento Europeu e que substitui o regulamento de 2011, introduz exigências progressivamente mais vinculativas de desempenho ambiental para produtos colocados no mercado comunitário. Entre os indicadores que passarão a ser de declaração obrigatória está o potencial de aquecimento global (GWP, na sigla em inglês), a chamada “pegada de carbono” dos materiais.
Ao disponibilizar agora os dados, a Tecnovia antecipa a pressão regulatória e, simultaneamente, abre uma vantagem competitiva junto de responsáveis de obra e entidades financiadoras que já hoje exigem ou valorizam essa informação.
Da taxonomia europeia às certificações LEED e BREEAM
O contexto em que estas certificações ganham tração é o da progressiva integração de critérios ambientais nos mecanismos de financiamento público e privado de infraestruturas. A taxonomia europeia de finanças sustentáveis (sistema de classificação que determina quais as atividades económicas que podem ser consideradas “verdes”) exige que os projetos demonstrem, entre outros requisitos, que não causam danos ambientais significativos. Para isso, a informação do ciclo de vida dos materiais utilizados torna-se estruturante.
Do lado dos concursos públicos, a transposição da Diretiva dos Contratos Públicos abriu espaço para a incorporação de critérios ambientais nas adjudicações, uma porta que as DAP ajudam a atravessar. Para obras que procurem obter certificações de sustentabilidade como o LEED (americano) ou o BREEAM (britânico), cada vez mais presentes em grandes projetos de infraestrutura em Portugal, a existência de DAP verificadas dos materiais utilizados é frequentemente condição de elegibilidade ou critério de pontuação.
“Ao quantificar e verificar o impacte ambiental dos nossos produtos, estamos a transformar a sustentabilidade de conceito abstrato em dados concretos que suportam decisões de investimento”, elucidou Pedro Nunes, diretor de Misturas Betuminosas e de RCD da Tecnovia.
O administrador da Tecnovia Indústria, Alexandre Pereira, enquadra a decisão como escolha estratégica: “Queremos ser reconhecidos como parceiros que oferecem produtos de qualidade e, em simultâneo, a informação ambiental transparente de que o mercado necessita”.
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