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Última década foi a mais quente desde que há registo
Relatório da Organização Meteorológica Mundial inclui, pela primeira vez, indicadores sobre o desequilíbrio energético da Terra como um dos principais indicadores climáticos. A taxa de aquecimento dos oceanos mais do que duplicou entre 1960–2005 e 2005–2025.
23 Mar 2026 - 08:07
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O clima da Terra está mais desequilibrado do que em qualquer outro momento da história observada, à medida que as concentrações de gases com efeito de estufa (GEE) continuam a impulsionar o aquecimento da atmosfera e dos oceanos, bem como o derretimento do gelo.
O relatório sobre o Estado do Clima, divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) nesta segunda-feira, confirma que 2015–2025 foram os 11 anos mais quentes de que há registo. Indica também que 2025 foi o segundo ou terceiro ano mais quente, cerca de 1,43 °C acima da média de 1850–1900.
Eventos extremos em todo o mundo, incluindo calor intenso, chuvas fortes e ciclones tropicais, causaram perturbações e devastação, evidenciando a vulnerabilidade das nossas economias e sociedades interligadas, avança a análise.
O oceano continua a aquecer e a absorver dióxido de carbono. Tem absorvido o equivalente a cerca de dezoito vezes o consumo anual de energia humana por ano nas últimas duas décadas. A extensão anual do gelo marinho no Ártico esteve no nível mais baixo de sempre ou próximo disso, a extensão do gelo marinho na Antártida foi a terceira mais baixa registada, e o derretimento dos glaciares prosseguiu sem abrandar.
“O estado do clima global está em emergência. O planeta Terra está a ser levado além dos seus limites. Todos os principais indicadores climáticos estão no vermelho”, afirmou o Secretário-Geral da ONU, António Guterres. “A humanidade acaba de atravessar os onze anos mais quentes já registados. Quando a história se repete onze vezes, já não é coincidência. É um apelo à ação”, acrescentou.
O relatório da OMM é divulgado no Dia Meteorológico Mundial, a 23 de março, sob o tema Observar hoje, proteger amanhã. Pela primeira vez, o relatório inclui o desequilíbrio energético da Terra como um dos principais indicadores climáticos.
O balanço energético da Terra mede a taxa a que a energia entra e sai do sistema terrestre. Num clima estável, a energia recebida do Sol é aproximadamente igual à energia emitida.
No entanto, o aumento das concentrações de gases com efeito de estufa — dióxido de carbono, metano e óxido nitroso — para níveis mais elevados dos últimos 800 mil anos perturbou este equilíbrio.
Desequilíbrio energético analisado pela primeira vez
O desequilíbrio energético da Terra tem vindo a aumentar desde o início dos registos, em 1960, especialmente nos últimos 20 anos, atingindo um novo máximo em 2025.
“Os avanços científicos melhoraram a nossa compreensão deste desequilíbrio e da realidade que o planeta enfrenta”, afirma a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo. “As atividades humanas estão a perturbar cada vez mais o equilíbrio natural e viveremos com estas consequências durante centenas e milhares de anos.”
“No dia a dia, o tempo tornou-se mais extremo. Em 2025, ondas de calor, incêndios florestais, secas, ciclones tropicais, tempestades e inundações causaram milhares de mortes, afetaram milhões de pessoas e provocaram perdas económicas de milhares de milhões”, acrescentou.
O aquecimento da atmosfera — incluindo à superfície da Terra — representa apenas 1% do excesso de energia, enquanto cerca de 5% é armazenado nos continentes.
Mais de 91% do calor em excesso é armazenado no oceano, que atua como um grande amortecedor das temperaturas em terra. O conteúdo de calor oceânico atingiu um novo recorde em 2025, e a sua taxa de aquecimento mais do que duplicou entre 1960–2005 e 2005–2025.
Cerca de 3% da energia adicional aquece e derrete o gelo. As camadas de gelo da Antártida e da Gronelândia perderam massa significativa, e a extensão média anual do gelo marinho no Ártico em 2025 foi a mais baixa ou a segunda mais baixa da era satélite. Segundo a OMM, houve perdas “excecionais” de massa glaciar na Islândia e ao longo da costa do Pacífico da América do Norte.
O aquecimento dos oceanos e o derretimento do gelo estão a impulsionar a subida do nível médio global do mar, que se tem acelerado desde 1993.
Segundo projeções do IPCC, o aquecimento dos oceanos e a subida do nível do mar continuarão durante séculos, referindo que algumas alterações são irreversíveis em escalas de centenas a milhares de anos.
O relatório inclui também um capítulo sobre clima e saúde, mostrando como o aumento das temperaturas, as alterações nos padrões de precipitação e os eventos extremos afetam riscos para a saúde. Destacam-se exemplos como a dengue e o stress térmico.
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