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WWF Portugal alerta que “novo normal climático” exige mais investimento em adaptação

ONG defende mudança de uma resposta reativa para estratégias de prevenção, com soluções baseadas na natureza e reforço do ordenamento do território.

09 Fev 2026 - 15:03

3 min leitura

Foto: Pixabay

Foto: Pixabay

A sucessão de tempestades que tem atingido Portugal nas últimas semanas está a evidenciar a urgência de reforçar o investimento em adaptação às alterações climáticas e no restauro da natureza, alerta a WWF Portugal. A organização considera que o país continua excessivamente focado na resposta a crises, defendendo uma mudança para estratégias preventivas e estruturais que aumentem a resiliência do território.

De acordo com a ONG, os episódios recentes de precipitação intensa, ventos fortes e agitação marítima, responsáveis por cheias, inundações e deslizamentos de terras em várias regiões, refletem uma nova realidade climática. “a intensidade destes fenómenos já não pode ser encarada como excecional. A ciência é clara ao indicar que estamos a entrar num novo normal climático, no qual eventos extremos se tornam mais intensos devido ao aquecimento global”, afirma Catarina Grilo, diretora de Conservação e Políticas da WWF Portugal.

A organização destaca que os impactos têm sido sentidos em várias bacias hidrográficas em simultâneo, com consequências significativas para populações, infraestruturas, atividades económicas e ecossistemas. Este cenário expõe fragilidades estruturais do país, que, segundo a WWF, continua a investir abaixo do necessário em adaptação climática.

A ONG cita um estudo recente do McKinsey Global Institute, que indica que Portugal terá de multiplicar por dez o investimento anual até 2050 para responder ao aumento da exposição a fenómenos como calor extremo, secas e cheias. Para a WWF, a insuficiência atual traduz-se numa abordagem reativa, em que os custos humanos, sociais e económicos das catástrofes acabam por superar largamente o investimento necessário para as prevenir.

A organização defende que o restauro da natureza deve assumir um papel central nas estratégias de adaptação. “O restauro da natureza é uma das ferramentas mais eficazes, custo-eficientes e duradouras para aumentar a resiliência do território português face às tempestades e outros fenómenos extremos”, sublinha Catarina Grilo.

Entre as medidas defendidas estão a recuperação de rios e zonas húmidas, o reforço de florestas autóctones e a proteção de áreas costeiras, bem como a promoção de cidades mais resilientes, com mais espaços naturais e solos permeáveis. A WWF alerta ainda para os riscos de construção em áreas classificadas como Reserva Ecológica Nacional.

Segundo a responsável, “ecossistemas saudáveis funcionam como infraestruturas naturais de proteção”, ajudando a absorver a água da chuva, reduzir a erosão, estabilizar encostas e atenuar impactos de tempestades marítimas e da subida do nível do mar.

A organização apela a um aumento significativo do investimento público e privado em adaptação, à integração de soluções baseadas na natureza nos planos nacionais e locais e ao reforço do ordenamento do território, evitando a ocupação de zonas de risco. Defende também maior envolvimento das comunidades e da sociedade civil, sublinhando que a adaptação climática exige participação e corresponsabilização.

“Até aqui os nossos Governos não investiram suficientemente nestas soluções e não têm colocado a natureza no centro das decisões. É por isso que exigimos mais do que resposta a emergências: exigimos planeamento, investimento adequado e a recuperação da natureza como aliada fundamental”, conclui Catarina Grilo.

 

 

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