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WWF Portugal quer mais proteína sustentável nas prateleiras dos supermercados
Projeto Ecobites desafia retalho alimentar português a reduzir peso dos produtos de origem animal e a alinhar oferta com metas de saúde pública e ação climática.
19 Fev 2026 - 08:58
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Foto: Freepik
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A WWF Portugal lançou o projeto Ecobites, uma iniciativa que pretende acelerar a chamada “transição proteica” no setor do retalho alimentar nacional, incentivando uma maior presença e competitividade de produtos de origem vegetal nas prateleiras dos supermercados.
O objetivo é reequilibrar a oferta alimentar num país onde os padrões de consumo continuam fortemente assentes em produtos de origem animal. Para a organização ambiental, o retalho tem um papel determinante na mudança de hábitos, ao influenciar “diretamente as escolhas dos consumidores” através da disponibilidade, preço, promoção e posicionamento dos produtos.
“Num país onde os padrões alimentares ainda apresentam um forte peso de produtos de origem animal, o retalho desempenha um papel determinante na mudança”, reitera Tiago Luís, técnico de Alimentação da WWF Portugal. Segundo o responsável, o Ecobites representa “um avanço fundamental no alinhamento do retalho português com tendências internacionais e com as necessidades emergentes da saúde pública e da ação climática”.
O projeto assenta na Metodologia dos Retalhistas da WWF, uma ferramenta internacional que permite às empresas medir, monitorizar e reequilibrar as vendas de produtos de origem animal e vegetal. Através da recolha e análise de dados comparáveis, os retalhistas podem avaliar o peso relativo das diferentes categorias alimentares e definir estratégias que promovam alternativas vegetais.
A organização considera que, apesar de alguns operadores já assumirem compromissos de sustentabilidade, poucos adotaram metodologias estruturadas que alinhem a oferta comercial com objetivos concretos de saúde pública e sustentabilidade ambiental.
“O setor do retalho alimentar tem um papel determinante na forma como Portugal se alimenta – na saúde pública, nas escolhas dos consumidores e no impacto ambiental”, defende Brent Loken, Global Food Lead Scientist da WWF. Acrecenta: “Com o Ecobites, queremos apoiar esta liderança e acelerar a transição para dietas que sejam benéficas para as pessoas e para o planeta”.
Para operacionalizar o projeto, a WWF promoveu nesta quarta-feira o primeiro de três workshops técnicos dirigidos a empresas do setor. As sessões visam capacitar os participantes para a aplicação da metodologia, sensibilizar para a importância da transição proteica e demonstrar o seu potencial no contexto português.
Saúde e clima no mesmo prato
A alimentação é apontada como um dos principais motores da crise ambiental. Segundo dados citados pela organização, 80% da desflorestação global está ligada aos sistemas alimentares, 70% da perda de biodiversidade terrestre resulta da expansão agrícola e cerca de um terço das emissões globais de gases com efeito de estufa provém da produção de alimentos.
A par do impacto ambiental, a dimensão da saúde pública é também central no discurso dos promotores. Pedro Graça, nutricionista e diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, defende que os padrões alimentares são determinantes na prevenção de doenças crónicas e no suporte a sistemas alimentares mais sustentáveis.
Para o especialista, “em Portugal existe uma oportunidade de relacionar a alimentação saudável e sustentável, assente na Dieta Mediterrânica, património cultural e modelo alimentar de referência com os princípios da Dieta Planetária”. O especialista vê esta questão como “um desafio e uma reflexão necessária”.
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