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ZERO defende ponte “exclusivamente ferroviária” sobre o Douro e menos estacionamento nas estações da Alta Velocidade
Para a associação, a localização da estação de Gaia em Santo Ovídio constitui agora “uma opção significativamente mais favorável do ponto de vista da mobilidade sustentável”, para a construção do troço ferroviário entre Porto e Oiã.
10 Jul 2026 - 15:07
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Foto: Freepik
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A associação ambiental ZERO considera que o novo projeto da Linha Ferroviária de Alta Velocidade entre Porto e Oiã já mostra melhorias com a reposição da estação subterrânea de Santo Ovídio, mas defende que a nova travessia do Douro seja exclusivamente ferroviária, recusando a inclusão de um tabuleiro rodoviário na nova ponte.
A associação ainda a pede a redução do estacionamento previsto nas estações, já que considera que “mais estacionamento significa pior mobilidade”.
Segundo a ZERO, a reposição da estação de Vila Nova de Gaia em Santo Ovídio, em configuração subterrânea prevista na Declaração de Impacte Ambiental, responde a preocupações que haviam motivado a não conformidade do anterior desenvolvimento do projeto.
Para a associação, a localização da estação de Gaia em Santo Ovídio constitui agora “uma opção significativamente mais favorável do ponto de vista da mobilidade sustentável”, permitindo uma articulação direta com a rede do Metro do Porto e potenciando a utilização do transporte coletivo por parte dos futuros utilizadores da alta velocidade.
Em causa está a construção da nova linha de alta de velocidade que ligará as estações de Porto (Campanhã) e Lisboa (Oriente). Além disso, a linha irá dispor de ligações à Linha do Norte, para servir as estações de Aveiro e de Coimbra B. A ligação entre Porto e Oiã é o primeiro troço da nova linha ferroviária.
A ZERO defende ainda que a integração entre a alta velocidade e os sistemas urbanos e metropolitanos de transporte coletivo é “essencial para o sucesso da rede ferroviária”, uma vez que a experiência internacional demonstra que interfaces eficientes reduzem a dependência do automóvel, alargam a área de influência das estações e potenciam os benefícios económicos, sociais e ambientais do investimento público.
Neste sentido, considera fundamental assegurar a articulação entre a estação de Santo Ovídio e as linhas Amarela e Rubi do Metro do Porto, bem como garantir que a estação de Campanhã funcione como “um verdadeiro nó intermodal”, integrando a alta velocidade, a ferrovia convencional, o metro, os autocarros e os modos ativos de transporte.
Apesar das melhorias identificadas, a ZERO alerta que o RECAPE (novo projeto para a linha) evidencia um aumento dos impactos territoriais face às soluções anteriormente avaliadas, com uma maior área afetada pelo projeto, mais escavações e movimentação de terras, bem como um aumento do número de habitações e atividades económicas abrangidas.
Assim, a associação esclarece a possibilidade de estes impactos estarem relacionados com a redução da extensão dos túneis de Negrelos e de Gaia e defendem que esta opção deverá ser melhor fundamentada do ponto de vista técnico, económico e ambiental.
A organização reitera ainda a oposição à inclusão de capacidade rodoviária na nova ponte sobre o Douro: “Num contexto de emergência climática, de necessidade de redução das emissões do setor dos transportes e de forte investimento na ferrovia, a criação de capacidade rodoviária adicional constitui uma opção contraditória com os objetivos da política pública”, constata em comunicado enviado ao Jornal PTGreen nesta sexta-feira.
Por isso, a ZERO defende que a nova travessia tenha uma vocação “exclusivamente ferroviária”, e reforça o papel da alta velocidade e da ferrovia convencional na mobilidade da Área Metropolitana do Porto.
A associação ambiental critica ainda o projeto de construção de um parque de estacionamento subterrâneo com cerca de 620 lugares na estação de Campanhã, por considerar que a medida “contraria os objetivos de descarbonização dos transportes” e incentiva o recurso ao automóvel.
Em alternativa, recomenda um reforço da oferta de transporte coletivo, melhores ligações pedonais, estacionamento para bicicletas e integração com sistemas de mobilidade partilhada, o que permitiria “uma redução significativa” da capacidade de estacionamento prevista pelo RECAPE.
Ainda que a associação reconheça a importância estratégica da Linha Ferroviária de Alta Velocidade Porto–Lisboa para promover a transferência do transporte rodoviário e aéreo para a ferrovia, sublinha que os seus benefícios ambientais dependem de “uma maior integração com os transportes públicos” e da redução da dependência do automóvel no acesso às estações.
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