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ZERO pede avaliação do abandono do gás fóssil na produção elétrica até 2035
A consulta pública da Estratégia Nacional de Armazenamento de Energia termina nesta quarta-feira. Para a ZERO, a prioridade é “perceber qual a combinação mais segura, económica e ambientalmente sustentável" para reduzir a dependência do gás fóssil.
30 Set 2026 - 13:18
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A organização ambientalista ZERO defende que a futura Estratégia Nacional de Armazenamento de Energia deve avaliar se soluções como o reforço de baterias e a bombagem hidroelétrica permitem a Portugal abandonar o gás natural fóssil na produção de eletricidade até 2035.
A proposta de Estratégia, cuja consulta pública termina nesta quarta-feira, prevê cerca de 3,9 GW de bombagem hidroelétrica e 3 GW de baterias em 2030, valores que sobem para 5,26 GW e 4,5 GW, respetivamente, em 2040.
No entanto, a associação ambientalista considera que estes objetivos devem ser acompanhados por metas de energia armazenada, expressas em gigawatts-hora (GWh), e não apenas de potência instalada.
Segundo a ZERO, os cenários da proposta mantêm cerca de 2 880 MW de centrais a gás disponíveis em 2040, sem avaliar com o mesmo detalhe em que medida essa capacidade poderia ser substituída por armazenamento, novas renováveis, gestão da procura e interligações.
A associação quer, por isso, que seja estudado um cenário de abandono do gás fóssil na produção elétrica até 2035, comparando as necessidades de armazenamento, custos, efeitos na fatura dos consumidores e segurança do abastecimento.
Para a ZERO, “o objetivo deve ser perceber qual a combinação mais segura, económica e ambientalmente sustentável que permita reduzir progressivamente a necessidade de manter centrais a gás como reserva do sistema elétrico.”
A organização defende ainda que as barragens com potencial para bombagem sejam identificadas e avaliadas individualmente, considerando capacidade de armazenamento, custos, impactos ambientais, restrições legais e efeitos das alterações climáticas, incluindo períodos prolongados de seca e a necessidade de assegurar caudais ecológicos e abastecimento público.
A estratégia deverá também analisar soluções de armazenamento de longa duração, incluindo a produção de hidrogénio renovável para posterior produção de eletricidade, bem como o potencial de instalações em Sines, Tapada do Outeiro, Carregado, Pego e Lares, segundo a organização.
A ZERO considera, por outro lado, que a redução da necessidade de armazenamento passa por incentivar o consumo de eletricidade nas horas de maior produção renovável. Entre os exemplos, aponta o carregamento de veículos elétricos, bombas de calor e produção de frio durante os períodos de maior disponibilidade solar.
A associação defende ainda que a estratégia seja articulada com a Estratégia Industrial Verde e revista até 2030, tendo em conta o aumento da eletrificação da indústria, dos transportes e dos edifícios e as necessidades de novos grandes consumidores de eletricidade.
“Portugal deve saber quanto armazenamento precisa de instalar para poder ter um sistema elétrico seguro, baseado em renováveis e sem dependência de gás natural fóssil. A Estratégia atualmente em discussão é a oportunidade para fazer essa avaliação”, afirma a organização, em comunicado.
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