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Zero considera que expandir as redes de gás não tem justificação

A Zero recorda a intenção da Comissão Europeia de reforçar a eletrificação direta, com base na eletricidade renovável, como ponto principal de descarbonização dos edifícios.

06 Ago 2026 - 17:46

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Foto: Freepik

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A associação ambientalista Zero considerou nesta quinta-feira “sem justificação” a expansão das redes de distribuição de gás e pediu à entidade reguladora da energia o chumbo das propostas das operadoras.

Em junho a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) colocou em consulta pública, que terminou recentemente, os planos das 11 operadoras de gás, que querem investir 406,8 milhões de euros entre 2027 e 2031, dos quais 249,9 milhões de euros para expansão e densificação das redes, criando 113 mil novas ligações.

Hoje, em comunicado, a associação diz que na consulta pública recomendou à ERSE que “emita parecer desfavorável às componentes de investimento destinadas a expandir a rede e a angariar novos consumidores de gás fóssil nos setores residenciais de serviços e da indústria ligeira”.

A Zero recorda a intenção da Comissão Europeia de reforçar a eletrificação direta, com base na eletricidade renovável, como ponto principal de descarbonização dos edifícios e avisa que apostar na expansão da rede de gás “cria risco de dependência tecnológica e atrasa a adoção de soluções mais eficientes, como bombas de calor, equipamentos solares térmicos ou redes de partilha de calor”.

Para mostrar o desalinhamento das propostas das operadoras a Zero dá exemplos concretos: a Floene aloca 56% do investimento previsto a desenvolvimento e expansão de rede, a REN Portgás 67% e a Sonorgás 70%.

Afirmando que as novas indústrias não exigem expansão da rede de gás, a associação defende que antes de qualquer expansão da rede para satisfazer consumos industriais inevitáveis deve primeiro ser avaliado se não há alternativas e se não é possível a eletrificação.

Em relação ao hidrogénio, a Zero é contra a sua injeção nas redes de distribuição de gás, considerando que o hidrogénio produzido com eletricidade renovável deve ser reservado aos setores onde a eletrificação direta não é viável, como certos processos industriais de alta temperatura, e o seu papel nas redes de distribuição deve ser muito limitado e transitório.

Já esta semana o Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) tinha alertado que os planos de expansão das redes de gás contrariam a transição energética, e pediu o chumbo das propostas.

Os planos de desenvolvimento e investimento nas redes de distribuição de gás para 2027-2031 “contrariam a trajetória de eletrificação e descarbonização assumida por Portugal e pela União Europeia” (UE), disse o grupo ambientalista em comunicado.

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

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