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Floene defende papel das redes de gás na descarbonização no âmbito do PDIRD-G 2026
Para a distribuidora, a combinação das redes de eletricidade e de gás é a forma mais eficiente e económica de responder às necessidades energéticas.
05 Ago 2026 - 08:00
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A distribuidora de gás Floene defende que a descarbonização do setor energético português deve assentar numa combinação entre a eletrificação dos consumos e o desenvolvimento dos gases renováveis, considerando que esta abordagem é a mais eficiente para garantir a segurança do abastecimento e reduzir as emissões.
A posição foi apresentada no âmbito da consulta pública ao Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede de Distribuição de Gás (PDIRD-G) 2026.
Segundo a empresa, as redes de distribuição de gás têm “um papel essencial” na concretização dos objetivos nacionais de descarbonização, contribuindo simultaneamente para a segurança do abastecimento, a flexibilidade do sistema energético e a sua resiliência face a situações de instabilidade climática ou geopolítica.
A posição da Floene assenta no papel das redes de distribuição de gás no futuro do sistema energético, na avaliação das metodologias de previsão da procura; a evolução da base de ativos regulados, nos benefícios operacionais associados aos investimentos realizados e nos custos de exploração que suportam as propostas de investimento e a respectiva comparabilidade, de acordo com comunicado.
A Floene sublinha ainda que a infraestrutura de gás existente “constitui um ativo estratégico para o país”. Trata-se de uma rede já “significativamente amortizada”, isto é, uma infraestrutura que já recuperou grande parte do investimento feito ao longo dos anos e que está “tecnicamente preparada para transportar gases renováveis e que permite descarbonizar consumos com um investimento adicional substancialmente inferior ao necessário para uma substituição integral por soluções exclusivamente elétricas”.
Para a empresa, a combinação das redes de eletricidade e de gás é a forma mais eficiente e económica de responder às necessidades energéticas, reforçando simultaneamente a segurança do abastecimento e a soberania energética nacional.
Relativamente à evolução da procura, a Floene considera não existirem evidências que justifiquem uma redução significativa do consumo de gás. Mesmo num “cenário conservador”, estima que a diminuição até 2040 seja inferior a 2%, alertando que previsões excessivamente pessimistas poderão conduzir a decisões inadequadas sobre os investimentos necessários na rede.
A empresa defende ainda que os investimentos propostos pelos operadores do Grupo Floene seguem uma lógica prudente e incremental, centrada na manutenção e adaptação da infraestrutura existente, e não numa estratégia expansionista. Ainda assim, salienta que persistem 68 concelhos sem acesso à rede de gás nas áreas de concessão do grupo.
Segundo a Floene, estes investimentos contribuem também para a coesão territorial e apresentam alguns dos menores custos unitários de descarbonização, ao permitirem substituir combustíveis mais poluentes, como o butano, o propano ou o gasóleo, recorrendo a uma “infraestrutura já existente e preparada para integrar gases renováveis”, explica.
A distribuidora considera essencial garantir que os consumidores domésticos possam beneficiar dos gases renováveis, assegurando a sustentabilidade económica das redes de distribuição.
A empresa entende ainda que a definição das regras de partilha dos custos de ligação de novas unidades de produção de biometano deve acompanhar a evolução do mercado e as necessidades de investimento do setor.
No comunicado, a Floene alerta que uma redução excessiva do investimento poderá traduzir-se num aumento dos custos para consumidores de gás e de eletricidade, devido às necessidades acrescidas de eletrificação dos consumos atualmente assegurados pela rede de gás.
Por essa razão, defende que a avaliação económica das políticas de descarbonização deve privilegiar as “soluções mais eficientes”, valorizando o papel complementar das redes de gás preparadas para transportar gases renováveis.
A Floene acrescenta ainda que o investimento previsto em desenvolvimento e expansão corresponde ao nível mínimo necessário para assegurar o funcionamento eficiente da rede e cumprir as obrigações legais de serviço público, defendendo antes que “as decisões sobre investimento tenham em conta a realidade de cada rede e não uma regra igual para todos”.
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